‘Laranjas’ que emprestavam nomes para esquema de adulteração em postos de combustíveis no PR ganhavam ‘mesada’ de R$ 1,5 mil. Investigações apontaram que investigados forneciam menos combustível do que o indicado na bomba, ou aumentavam a quantidade de etanol adicionado à gasolina. Oito pessoas foram indiciadas.
De 50 postos analisados em Curitiba e Região, 44 abasteciam menos do que o indicado na nota fiscal, aponta laudo da Polícia Federal.
As investigações da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de adulteração em postos de combustíveis em Curitiba e na Região Metropolitana revelaram que os criminosos abriam negócios usando os nomes de outras pessoas, que recebiam uma espécie de “mesada” de cerca de R$ 1,5 mil. O relatório final da investigação aponta que os “laranjas” eram pessoas de renda baixa ou que trabalhavam informalmente. Eles emprestavam os dados para abertura de empresas, que eram usadas como fachada para lavagem de dinheiro da organização criminosa.
Apesar de os postos estarem em nome de terceiros, as investigações apontaram que a operação era controlada por um grupo autointitulado “diretoria”, formado por Rafael Renard Gineste, Thiago Ramos, Gerson Lemes, Felipe Jacobs, Renato Gineste, Rodrigo Gineste e Italo Belon Neto. Segundo o relatório da Polícia Federal, entre as evidências da lavagem de dinheiro, está a “quantidade colossal” de depósitos fracionados em dinheiro que os postos começaram a registrar logo depois de serem adquiridos pelo grupo criminoso, com um volume em média 187% maior, conforme a investigação.
Os investigados manipulavam lucros, adulteração e fraudes por meio de um grupo de WhatsApp. A contabilidade do esquema era registrada em planilhas que apontavam o lucro de cada posto, assim como a distribuição do valor entre os integrantes. Segundo o relatório da Polícia Federal, as penas para os envolvidos podem chegar a 40 anos de reclusão para cada um deles.
A PF indiciou os sete homens apontados como chefes da “diretoria”, bem como Gustavo Ardenghi, descrito como “uma peça fundamental na estrutura de ocultação de patrimônio e suporte jurídico do esquema”. Os crimes de estelionato e de crime contra a ordem econômica foram considerados pela Polícia Federal diante do esquema montado pelos investigados.
Durante as investigações, agentes da Polícia Federal coletaram amostras de gasolina comum para investigação, onde foi constatado que em 46 postos existiam irregularidades. Os problemas incluíam a entrega de menos combustível do que o pago pelo consumidor e a inclusão de valores acima do permitido de etanol na gasolina. A prática da fraude nos postos contribuiu para uma estrutura financeira bilionária de lavagem de dinheiro, movimentando bilhões de reais em uma rede criminosa.
A investigação ainda revelou a conexão dos envolvidos em esquemas de fraude de combustíveis em outras regiões como São Paulo e Rio de Janeiro, além de conexões com facções criminosas. A lavagem de dinheiro seguia três etapas: colocação, dissimulação e integração, movimentando mais de R$ 20 bilhões em empresas sem declarações fiscais correspondentes. A operação policial mirou 46 postos de Curitiba por lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis, levando à prisão de alguns dos envolvidos.




