Coisa rara de ver: esquerda e direita unidas em defesa do Brasil
O tarifaço de Trump terá resposta
É muito cedo para dizer que o pior já passou. E por pior, não se entenda o
conflito necessário de opiniões contrárias entre os que defendem o governo, seja
ele qual for, e os que se opõem.
É assim que as coisas funcionam na democracia. E a nossa atravessou os últimos
anos dando provas de resiliência. Sobreviveu a dois processos de impeachment e a
uma tentativa de golpe.
O pior seria a falta completa de entendimento entre os Poderes da República, o
Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A troca recente de comando no Congresso
baixou a fervura por lá.
Tornou possível que todas as forças políticas se unissem para aprovar no Senado
projeto de lei que impõe a reciprocidade de regras ambiental e comercial nas
relações do Brasil com outros países.
Pelas regras de hoje, o Brasil não pode aplicar tarifas unilateralmente a um
país. Isso dificultaria uma resposta a Trump, que está pronto para taxar a venda
nos Estados Unidos de produtos estrangeiros.
O obstáculo foi removido por 70 votos a 0. Só falta a Câmara dos Deputados
aprovar o projeto de lei relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) para que
Lula o sancione e ele comece a valer.
Ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, a senadora foi elogiada pelo
líder do governo Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP):
“Esta matéria é de interesse central para o Brasil, é relatada pela oposição,
mas tem o nosso irrestrito apoio. É de bom tom que o Congresso tenha uma decisão
para proteger a nossa agricultura”.
Cautelosa, Tereza Cristina afirmou que o texto não é uma “arma” contra o governo
Trump, mas sim uma ferramenta para auxiliar o Brasil em negociações:
“O Brasil não é um país que afronta e retalia, mas precisa ter ferramentas para
poder barrar medidas que nos sejam nocivas”.
Para Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, a classe política não
poderia se calar diante da iminência do tarifaço de Trump programado para esta
quarta-feira (2). Mas ele adverte:
“O governo do presidente Lula prefere o diálogo, a negociação e a busca do
consenso pelo debate multilateral.”