O Distrito Federal teve 215 feminicídios em 10 anos – 209 confirmados e 6 sob análise – segundo dados do painel de monitoramento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DE). A maioria das mortes aconteceram dentro de casa e por ciúmes.
Apenas neste ano, até 1° de abril, foram seis casos. O último confirmado, foi em 31 de março, quando Maria José Ferreira foi morta pelo companheiro na frente dos filhos. A Polícia Civil do DF ainda investiga um possível feminicídio que, se confirmado, será o sétimo caso do ano.
A SSP-DE também registrou, entre março de 2015 e 28 de fevereiro de 2025, 721 tentativas de feminicídio. Dessas, 294 mantêm-se tipificadas como feminicídio tentado e 427 foram tipificadas com natureza diversa.
Segundo a defensora Rafaela Ribeiro Mitre, chefe do Núcleo de Assistência Jurídica de Promoção e Defesa das Mulheres da Defensoria Pública do DF (DPDF), o feminicídio é um crime anunciado, antecedido por diversos atos de violência. A maioria das vítimas de violência são negras e a maior parte dos autores dos crimes tiveram relações afetivas com as vítimas.
Motivação para crimes de feminicídio no DF foi por ciúmes e, em segundo lugar, término de relacionamento. A SSP-DE ainda aponta que 71% dos crimes ocorreram no interior de residências. A defensora Rafaela Ribeiro Mitre destaca a importância da denúncia como ferramenta essencial para a proteção das vítimas.
Os dados da SSP-DE mostram que arma branca foi o principal meio empregado pelos autores para cometer o feminicídio, seguido por arma de fogo e fogo. Regiões Administrativas com maior número de casos são Ceilândia, Samambaia, Santa Maria, Planaltina, Gama, Taguatinga, Recanto das Emas, Plano Piloto, Estrutural e Itapoã.
Seis casos de feminicídio foram registrados nos primeiros meses de 2025 no DF. Todas as vítimas eram mães e 80% dos autores dos crimes têm antecedentes criminais. A maioria das mortes foi por arma branca, dentro de casa e por ciúmes.
A Polícia Civil ainda investiga um sétimo caso como possível feminicídio. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-DE) oferece canais de atendimento que funcionam 24h para denúncias e registros de ocorrências. Medidas protetivas podem ser solicitadas através da Polícia Civil, Delegacia da Mulher, Delegacia Eletrônica ou telefone. A Defensoria Pública do DF oferece assistência jurídica e orientação específica para questões de violência contra a mulher.