BELO HORIZONTE (MG) — Depois de quatro meses caída e amassada por vândalos, a estátua do escritor Roberto Drummond voltou a reinar na Praça da Savassi nesta terça-feira (7). A escultura, que foi arrancada do pedestal em dezembro de 2025, passou por uma cirurgia estética e estrutural comandada pelo próprio artista que a criou, emocionando moradores e admiradores do autor de “Hilda Furacão”.
A restauração em MINAS GERAIS foi conduzida pelo escultor Léo Santana, que refez ranhuras, soldou partes quebradas e devolveu o bronze ao seu brilho original. Segundo a prefeitura, o serviço completo — incluindo transporte, reparo e reinstalação — custou R$ 11 mil aos cofres públicos.
O atentado contra a obra não foi o primeiro. Em agosto de 2022, a mesma estátua já havia sido alvo de pichadores e precisou ser restaurada às pressas. Agora, a administração municipal promete reforçar o videomonitoramento e o patrulhamento preventivo na região para evitar novos episódios de vandalismo.
A mão do artista que restaurou a própria obra
Léo Santana, autor da escultura, não escondeu a emoção ao ver seu trabalho de volta ao lugar de origem. “Cada ranhura que eu corrigi era como se estivesse cuidando de um filho”, disse o artista aos veículos de comunicação. O processo levou cerca de três semanas e exigiu técnicas especiais de soldagem e polimento.
A estátua retrata Drummond sentado em um banco, com um livro aberto no colo — cena que se tornou ponto de encontro e de fotos para turistas e belo-horizontinos. Durante o período em que esteve em restauro, o banco vazio na praça virou símbolo de luto e de protesto contra a falta de respeito ao patrimônio cultural.
Vigilância reforçada para proteger a memória de BH
A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que vai instalar câmeras com inteligência artificial e aumentar a ronda da Guarda Municipal no entorno da Savassi. A medida visa coibir novos atos de depredação, que vinham se tornando recorrentes na região central da cidade.
Moradores do bairro comemoraram o retorno da estátua com flores e abraços simbólicos. “Ela é parte da nossa história. Ver ela caída foi uma tristeza”, declarou uma vizinha que preferiu não se identificar. A escultura havia sido derrubada durante a madrugada, em um ato que a polícia ainda investiga como vandalismo.
Do Prêmio Jabuti à Hilda Furacão: o legado de um mineiro
Roberto Drummond nasceu em Ferros, no interior de Minas Gerais, em 1933, e se tornou um dos nomes mais importantes da literatura brasileira. Jornalista e cronista, ele venceu o Prêmio Jabuti em 1975 como autor revelação com o romance “A morte de DJ em Paris”.
Seu maior sucesso veio em 1991, com “Hilda Furacão”, obra que mistura realidade e ficção sobre uma prostituta que abala uma cidade mineira nos anos 1950. O livro foi adaptado para uma minissérie de sucesso da TV Globo em 1998, levando o nome de Drummond para milhões de brasileiros.
O escritor morreu em Belo Horizonte em 2002, aos 68 anos, mas sua presença continua viva na Savassi — agora, de volta ao posto, com a dignidade restaurada e a esperança de que a cidade saiba cuidar de seus símbolos.



