A morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, após a realização de procedimentos estéticos por um estudante de biomedicina, chocou habitantes de cidades de todo o Brasil nesta semana. O Ministério Público do Paraná apresentou denúncia nesta quinta-feira (9) contra Erick Avelaneda Ferreira de Souza, 22 anos, responsável pelos procedimentos realizados na capital e suspeito de exercício ilegal da medicina, em episódio que levantou debates sobre fiscalização e responsabilidade profissional no setor da estética.
De acordo com as informações apuradas pelo DE, a fatalidade ocorreu após Silvana se submeter a intervenções como lipoenxertia nos seios, procedimento de alta complexidade e restrito a médicos. A situação foi agravada pelo uso de documentos falsos por parte de Erick, que alugou uma sala em Curitiba e se apresentou falsamente como dentista e biomédico. Após as complicações, a vítima pagou R$ 15 mil pelos tratamentos e buscou ajuda quando passou a sentir dores intensas.
A Procuradoria considera o crime como homicídio doloso qualificado, embasado em motivo torpe, uso de dissimulação ao se passar por profissional da saúde e quebra de confiança, pois Erick já havia conquistado a amizade da vítima. “Mesmo sem a formação adequada, ele realizou procedimentos restritos a médicos”, destacou promotor do caso. O caso desencadeou reflexões sobre riscos em intervenções e a importância de checar credenciais dos profissionais de saúde, especialmente em regiões do Amazonas e de centros urbanos onde estes casos tendem a se multiplicar pela demanda por estética.
Detalhes da investigação e atuação do estudante
As apurações da Polícia Civil apontaram que Erick Ferreira de Souza não só alugou salas utilizando documentos falsos, mas também continuou oferecendo tratamentos mesmo após a morte de Silvana. O episódio levantou alerta entre pacientes e profissionais, especialmente porque o estudante não detinha registro profissional junto ao Conselho Regional de Biomedicina — condição obrigatória para atuação na economia formal do segmento.
Testemunhas relataram que Erick agia com dolo eventual, expondo pacientes a risco absoluto ao ministrar antibióticos em vez de encaminhá-las a um hospital diante de quadros clínicos graves. “Ele se apresentou como biomédico e, posteriormente, tentou inserir informações mentirosas na ficha médica ao declarar parentesco com a vítima”, ressaltou o Ministério Público.
Após o falecimento de Silvana, Erick passou a atender pacientes em suas residências, o que agravou a situação sanitária e epidemiológica. As equipes policiais apreenderam no local medicamentos, seringas, além de materiais usados e mal descartados. Como muitas mulheres buscam por estética em diferentes cidades, o episódio serve de alerta nacional para quem recorre a serviços desse tipo sem a devida checagem de diplomas e registros.
Conselhos profissionais reforçam fiscalização e alerta
O Conselho Regional de Biomedicina informou que não tinha registro do nome de Erick em sua base de dados e afirmou ter recebido denúncia anônima contra o estudante já no início de 2025. Ainda segundo o órgão, a atuação de alunos deve ser restrita a estágios supervisionados, com contrato válido entre instituição, discente e empregador, conforme determina a Lei nº 11.788/2008. “Cabe ressaltar ao público que profissionais de biomedicina precisam estar habilitados e registrados para exercer práticas estéticas”, destacou nota do conselho ao DE.
Essa não é a primeira vez que casos similares chegam ao noticiário nacional, especialmente em grandes cidades e polos regionais. Em regiões como o Amazonas e em estados do Norte e Centro-Oeste, relatos de falsos profissionais têm se tornado frequentes. De acordo com especialistas ouvidos pelo DE, a falta de fiscalização efetiva e a demanda crescente por estética contribuem para o surgimento desses crimes, que além de ferirem a dignidade das vítimas, colocam vidas em perigo.
O conselho recomenda sempre consultar os dados do profissional nos portais oficiais antes de agendar qualquer procedimento, o que pode ser fundamental para evitar riscos e mortes que poderiam ser prevenidas. “A checagem online, que antes era rara, passou a ser obrigatória para quem busca intervenções estéticas, seja em clínicas conhecidas das cidades ou até mesmo em atendimentos domiciliares”, reforça a entidade.
Defesa, denúncias e expectativas para o caso
O advogado de Erick, Eurípedes Cunha, classificou a denúncia do Ministério Público como “prematura e desprovida de nexo direto entre o procedimento e a morte”, solicitando perícias complementares nos próximos dias. “A defesa aguarda o recebimento da denúncia pelo juiz para, só então, tomar as medidas cabíveis ao caso”, afirmou em nota encaminhada nesta quarta-feira ao DE.
Enquanto o processo tramita, a Polícia Civil continua a investigar outros possíveis atendimentos ilegais realizados pelo estudante, que já está preso desde o dia 1º de abril. Segundo a delegada Aline Manzatto, denúncias de novas vítimas e de ameaças após o cancelamento de procedimentos continuam chegando às autoridades. O episódio ganhou ainda mais repercussão após uma das mulheres que desistiu de ser atendida alertar as demais, ato que motivou ameaças por parte do investigado.
A repercussão do caso evidencia como os interesses econômicos têm motivado pessoas a buscarem procedimentos não regulamentados, expondo-se a riscos desnecessários. O que esperar para os próximos dias é a manutenção da prisão preventiva e o aprofundamento das investigações tanto sobre o estudante quanto sobre o possível envolvimento de terceiros, já que matérias semelhantes também têm ocorrido em cidades como Manaus e outras capitais do país.
A morte de Silvana de Bruno contribui para a ampliação do debate sobre regulamentação e fiscalização de procedimentos estéticos no Brasil, evidenciando a necessidade de fortalecimento das estruturas de vigilância sanitária em todas as esferas da federação. Com o aumento das denúncias e das fiscalizações em Amazonas e cidades, cresce a expectativa de punição exemplar para o estudante e a conscientização da população sobre a importância das boas práticas profissionais na área da saúde.
O DE continuará acompanhando o andamento do processo e trazendo informações atualizadas sobre o desdobramento das acusações, depoimentos das partes envolvidas e das novas vítimas que possam surgir ao longo da apuração. Enquanto isso, especialistas reforçam as principais recomendações: verificar sempre o registro do profissional, desconfiar de preços muito baixos e evitar qualquer procedimento realizado fora de clínicas regularizadas com alvará de funcionamento e equipe habilitada, tendências observadas também durante a Semana Santa quando aumentam os atendimentos estéticos em todo o país.



