Estudantes da USP encerram greve após 54 dias: o que muda?

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SÃO PAULO (SP) — Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, na noite de segunda-feira (8), encerrar a greve estudantil que completava 54 dias de paralisação. Em assembleia geral convocada pelo Diretório Central Estudantil (DCE), a maioria dos presentes votou pelo fim da paralisação e pela retomada das atividades acadêmicas, com a condição de manter estado de mobilização permanente para continuar a luta por melhorias na universidade.

Assembleia define retorno gradual às aulas

Pela contagem oficial do DCE, a votação registrou 323 votos favoráveis ao encerramento da greve contra 255 pela manutenção do movimento. Em nota, a Assembleia dos Estudantes da USP informou que a decisão é uma recomendação geral, cabendo a cada faculdade realizar suas próprias assembleias nos próximos dias para deliberar sobre a retomada das atividades. Algumas unidades já confirmaram o retorno, como a Faculdade de Direito, a Escola Politécnica e a Faculdade de Medicina do interior. Na capital, a Escola de Enfermagem foi a primeira a formalizar o fim da paralisação, em 2 de junho.

O Centro Acadêmico 31 de Outubro, da Escola de Enfermagem, destacou em comunicado que “esse ciclo de greve representou um dos momentos mais importantes de organização, luta e acúmulo político recente do movimento estudantil da USP e das estaduais paulistas”. Já o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, defendeu a retomada das aulas ao fazer um balanço da conjuntura: “A greve conquistou avanços importantes nas negociações com a Reitoria, mas hoje enfrenta um cenário de perda de força, redução dos quóruns, saída da maioria das unidades e falta de unidade entre os campi.”

Tentativa de invasão e prisões marcam a noite

Em meio ao fim iminente da greve, seis pessoas foram presas pela Polícia Militar (PM) após tentarem invadir o Prédio da Administração Central da USP, também na noite de segunda-feira. Segundo a PM, indivíduos encapuzados munidos de paus, cassetetes, rojões e fogos de artifício entraram no prédio e agrediram seguranças da guarda universitária. Ao menos três seguranças sofreram ferimentos mais graves e foram encaminhados ao Hospital Universitário. A PM foi acionada, removeu os invasores e liberou as portarias do edifício. O DCE da USP informou que não tem relação com o ocorrido. Os detidos foram levados ao 7° Distrito Policial da Lapa, onde o caso foi registrado, mas foram liberados no início da manhã de terça-feira (9).

A decisão de encerrar a greve não significa o fim das reivindicações. Os estudantes seguem defendendo pautas como a valorização do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) e o fortalecimento das políticas de permanência estudantil. A assembleia estudantil estabeleceu que o movimento continuará em estado de vigilância, com ações futuras programadas para pressionar a reitoria. A retomada das aulas na capital paulista, em unidades como a Escola Politécnica e a Faculdade de Direito, sinaliza o início de uma nova fase de negociações e mobilização dentro da SÃO PAULO.

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