Estudantes de colégio tradicional no Recife fazem festa com tema ‘Deu a Louca no Morro’
Após críticas de “racismo recreativo” e de reforço de estereótipos de pessoas negras e da periferia, a comissão responsável pela festa “Deu a Louca no Morro” afirmou que “jamais houve intenção de desrespeito”. O evento foi organizado por concluintes do tradicional Colégio Damas, no Recife, que se manifestaram sobre o caso após a repercussão de vídeos da festa.
As imagens, que circularam principalmente no Instagram, mostram adolescentes sugerindo “looks” para a festa. Entre os elementos exibidos aparecem camisas de times de futebol, colares dourados e óculos do tipo “juliet”.
Reações iniciais
A polêmica ganhou força após uma publicação da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fabiana Moraes. Ela questionou a realização do evento e afirmou que, na festa, pessoas teriam se fantasiado de moradores de favelas e encostas, apontando o que chamou de “racismo recreativo”.
O “racismo recreativo” é um conceito usado para descrever situações em que práticas ou falas racistas aparecem disfarçadas de humor, brincadeira ou entretenimento. A expressão se refere a casos em que estereótipos sobre pessoas negras ou outros grupos racializados são reproduzidos em piadas, fantasias, memes ou representações caricatas, o que pode reforçar preconceitos e desigualdades mesmo quando não há intenção explícita de ofender.
Segundo os organizadores, a festa foi uma iniciativa privada, realizada fora do ambiente escolar e sem qualquer vínculo institucional com o Colégio Damas. A comissão afirmou que a escola não participou da concepção, organização, planejamento, autorização, promoção ou divulgação do evento.
Detalhamento do primeiro fato
De acordo com a comissão, o evento não foi concebido como festa à fantasia e não teve como objetivo representar de forma caricatural ou depreciativa qualquer grupo social. Os organizadores afirmam que a proposta foi apenas promover um momento de convivência entre estudantes, com referências estéticas associadas aos bailes de funk e ao universo do brega funk, descritos na nota como manifestações culturais reconhecidas da cultura popular recifense e da identidade urbana da cidade.
“Jamais houve intenção de desrespeito, segregação ou menosprezo a qualquer pessoa ou grupo social. O propósito do evento foi apenas proporcionar um momento de confraternização, alegria e integração entre colegas, inspirado em referências culturais presentes no cotidiano da cidade do Recife, sem qualquer conotação discriminatória”, diz o texto.
Contexto aprofundado
A nota também diz que não houve envolvimento de professores, coordenadores, gestores ou outros colaboradores da instituição, nem conhecimento prévio formal sobre a realização da festa.
“Nos últimos dias, passaram a circular nas redes sociais publicações, comentários e interpretações a respeito de um evento denominado “Deu a Louca no Morro”, promovido em contexto privado por estudantes concluintes vinculados à Comissão de Formatura. Diante da repercussão gerada, entendemos ser necessário apresentar esclarecimentos objetivos, responsáveis e transparentes, a fim de restabelecer a correta compreensão dos fatos.”
Segundo fato em profundidade
A festa “Deu a Louca no Morro”, organizada por comissões de formatura de estudantes do Colégio Damas, ganhou repercussão nas redes sociais após a circulação de vídeos do evento. Nas imagens, adolescentes aparecem sugerindo “looks” para a festa, usando itens como camisas de times de futebol, colares dourados e óculos do tipo “juliet”.
Críticos do evento afirmaram que os figurinos reproduziam estereótipos associados a pessoas negras e moradores da periferia. A deputada estadual Dani Portela (PSOL) foi uma das pessoas que criticaram o tema da festa e classificou o episódio como exemplo de racismo recreativo.
Desfecho ou decisão
Reiteramos, portanto, que jamais houve intenção de desrespeito, segregação ou menosprezo a qualquer pessoa ou grupo social. O propósito do evento foi apenas proporcionar um momento de confraternização, alegria e integração entre colegas, inspirado em referências culturais presentes no cotidiano da cidade do Recife, sem qualquer conotação discriminatória.
Por fim, pedimos que o debate seja conduzido com serenidade, responsabilidade e compromisso com o contexto real dos fatos, evitando-se interpretações apressadas, acusações infundadas ou associações incompatíveis com a verdadeira natureza da iniciativa. O uso de conceitos sensíveis ligados à proteção de minorias deve sempre ocorrer com responsabilidade, precisamente para que não sejam convertidos, no espaço digital, em instrumentos de disseminação de animosidade, perseguição ou linchamento moral a adolescentes.




