Estudantes são detidos por torturar calouros em trote obrigatório

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Adolescentes de 15 e 16 anos foram detidos pelos crimes, assim como o estudante Kaue Vinicius Souza, de 18 anos — Foto: PM

A Polícia Militar capturou três estudantes acusados de torturar calouros em um alojamento da Escola Técnica Estadual (Etec) de Iguape, no litoral de São Paulo. A ação ocorreu após a Justiça determinar a prisão de um jovem de 18 anos e a apreensão de dois adolescentes, de 15 e 16 anos.

Segundo a PM, os mandados judiciais foram cumpridos no sábado (14) por equipes do 14º Batalhão de Polícia Militar do Interior. O maior de idade foi preso, enquanto os adolescentes foram encaminhados à Fundação Casa de Peruíbe (SP).

Investigações apontam o horror do juramento de trote na Etec

O caso veio à tona na quarta-feira (11) e, inicialmente, foi registrado como lesão corporal e vias de fato. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil instaurou inquérito e passou a apurar os fatos como tortura, constrangimento ilegal e lesão corporal. O Conselho Tutelar foi acionado, e a direção da escola informou que adotou providências.

Ao g1, familiares das vítimas relataram que as agressões ocorriam durante um suposto “juramento de trote”, firmado entre veteranos e calouros no início do ano letivo, em fevereiro. Conforme os relatos, os estudantes eram orientados a não denunciar as agressões, algumas delas gravadas em vídeo.

Ainda segundo as famílias, os atos incluíam agressões com alicates, cintos, pedaços de cano, tapas e humilhações. Os investigados cursavam o segundo e o terceiro anos do ensino médio.

Novos detalhes revelam a extensão do terror vivido pelos calouros

A equipe de reportagem foi informada de que o trio atuava como uma espécie de liderança do alojamento, que tem capacidade para 28 alunos. Segundo os relatos, ao menos cinco calouros teriam sido submetidos a agressões, com a orientação de que não comunicassem os fatos aos funcionários da escola.

Os relatos indicam que os abusos ocorriam principalmente à noite, durante a semana, e incluíam agressões físicas e atos de humilhação, alguns deles enquanto as vítimas descansavam.

Aos finais de semana, parte dos estudantes retornava às residências. A situação veio à tona após a família de uma das vítimas perceber um ferimento provocado por alicate no peito do adolescente, quando ele voltou para casa, e procurar as autoridades.

A comunidade escolar reage frente às violências cometidas

Na sexta-feira (13), diante das provas reunidas no inquérito, a Polícia Civil solicitou mandados de prisão e busca e apreensão contra o trio. O pedido foi aceito pela Justiça, resultando na ação policial no dia seguinte.

Os responsáveis pelas vítimas destacaram que aguardam as providências por parte da instituição de ensino. “Depositamos a nossa confiança nessa escola, para depois termos esse resultado que estamos tendo”, alegou um deles.

Em nota publicada nas redes sociais, a Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros afirmou que repudia os fatos. “Toda unidade escolar foi fortemente atingida pelas notícias. A surpresa e a indignação nos paralisaram por um momento”, declarou a instituição.

O comunicado, assinado pelo diretor Mauro Sérgio Adinolfi, ressaltou que a unidade acompanha a apuração dos fatos para “analisar todas as questões legais, no intuito de solucionar o caso e restabelecer a ordem no âmbito escolar”.

Medidas são tomadas para lidar com as consequências do juramento de trote

O Conselho Tutelar de Iguape destacou que acompanha a situação e atua garantindo as medidas de proteção aos adolescentes, acionando os responsáveis e assegurando os direitos. Apenas uma das vítimas é moradora da cidade, ainda segundo o órgão.

O conselho destacou que o jovem será encaminhado para acompanhamento da rede de proteção. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que diligências estão em andamento visando o esclarecimento dos fatos e as responsabilizações necessárias.

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