Áreas úmidas do Amazonas sofrem pressão de hidrelétricas, garimpo e desmatamento, de acordo com um estudo recente. Esses ambientes, como várzeas e igapós, desempenham um papel crucial na preservação da biodiversidade, na regulação climática e na sobrevivência de comunidades tradicionais. A pesquisa inédita mapeia a extensão dessas áreas na Amazônia e revela que 18% do bioma é composto por áreas úmidas.
O estudo realizado por pesquisadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Socio Ambiental (ISA) aponta que ecossistemas como várzeas, igapós e manguezais estão entre os mais ameaçados pelas mudanças climáticas. Além disso, o desmatamento tem avançado de forma alarmante, com 290 mil hectares de áreas úmidas destruídos entre 2020 e 2024.
Outro problema grave apontado pelo estudo é o garimpo, que tem causado a contaminação por mercúrio em peixes de rios amazônicos, colocando em risco a saúde das comunidades ribeirinhas. A exploração madeireira também exerce pressão sobre as várzeas, que abrigam uma rica diversidade biológica. Os pesquisadores alertam que a degradação das áreas úmidas pode ser um indicativo de que o equilíbrio da Amazônia está ameaçado.
Apesar da importância das áreas úmidas para a conservação da biodiversidade e para a qualidade de vida das comunidades locais, apenas 53,7% desses ambientes na Amazônia estão em territórios protegidos. Os Sítios Ramsar, como o Mosaico do Rio Negro, são reconhecidos pela sua relevância na conservação da natureza e na mitigação das mudanças climáticas. O analista GIS do ISA destaca a necessidade de destinar áreas para conservação, especialmente as áreas úmidas, para garantir a sustentabilidade e a resiliência da Amazônia.
Em um contexto de avanço do desmatamento, garimpo e pressão sobre as áreas úmidas, é fundamental aumentar os esforços de proteção e conservação desses ambientes. Ignorar o papel das áreas úmidas aumenta a vulnerabilidade da Amazônia e das populações que dependem delas. A preservação desses ecossistemas é essencial para garantir a sobrevivência de espécies únicas, a qualidade da água e o equilíbrio climático na região amazônica.




