Estudo aponta exposição de mulheres e pescadores ao óleo no Litoral Norte de PE

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Mulheres, pescadores e população do Litoral Norte de PE tiveram maior exposição
pelo desastre do óleo nas praias, aponta estudo

Pesquisa da Fiocruz com 1.259 pescadores indica que mulheres entre 45 e 59 anos
foram maioria entre as pessoas mais expostas durante limpeza das áreas
atingidas.

Estudo aponta que mulheres e pescadores foram os mais expostos ao desastre do
óleo [https://s02.video.glbimg.com/x240/14325169.jpg]

Estudo aponta que mulheres e pescadores foram os mais expostos ao desastre do
óleo

Um estudo realizado pelo Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz
[https://de.de.tudo-sobre/fiocruz/] Pernambuco), com participação da
Universidade Federal da Bahia (UFBA
[https://de.de.educacao/universidade/ufba/]), apontou que o Litoral Norte
de Pernambuco registrou a maior proporção de pessoas com alta exposição ao
petróleo durante os vazamentos que atingiram as praias do Nordeste em 2019
[https://de.de.natureza/noticia/2019/09/26/manchas-de-oleo-no-nordeste-o-que-se-sabe-sobre-o-problema.ghtml]
(veja vídeo acima).

Publicado na revista Cadernos de Saúde, o estudo ouviu 1.259 pescadores
vinculados a 27 colônias ou associações do litoral pernambucano. A pesquisa
classificou como alta exposição situações de contato com o petróleo, seja de
forma direta, pelo forte odor ou relatos de irritação na pele durante o
trabalho, ou na limpeza das praias.

Segundo os dados, as mulheres foram maioria entre os trabalhadores mais
expostos, com maior concentração na faixa etária entre 45 e 59 anos.

Um dos autores do estudo, José Erivaldo Gonçalves, que é pós-doutorando em Saúde
Pública na Fiocruz Pernambuco, afirmou que o recorte de gênero identificado na
pesquisa ainda deve ser aprofundado.

“O estudo epidemiológico pega todo o litoral de Pernambuco. Nesse estudo, a
gente consegue identificar grupos de menos, mais e média exposição. O Litoral
Norte acaba concentrando esse índice de maior exposição de grupos. (…) Isso do
gênero, inclusive, é preciso a gente aprofundar com mais estudos, da divisão do
trabalho e como isso influencia os padrões de exposição. É algo interessante,
que a gente precisa dar mais atenção”, detalhou.

Segundo o pesquisador, a análise faz parte de uma investigação mais ampla sobre
os impactos do desastre ambiental na saúde dos pescadores a partir de um
inquérito epidemiológico, ou seja, um estudo de campo realizado para coletar
informações diretas sobre a saúde de um grupo específico de pessoas.

José Erivaldo relembra que, à época do acidente, os pescadores acabaram se
expondo ainda mais por falta de orientação e estrutura adequada para a limpeza
das áreas atingidas.

“Quando o derramamento aconteceu, existia um despreparo muito grande, tanto dos
órgãos ambientais, quanto do próprio sistema de saúde, que não conseguiram
abarcar e acionar planos de contingência para atuar nesse contexto. (…) Então,
eles [pescadores] começaram a se autogerir, se auto-organizar em defesa do seu
território. Eles foram limpar as praias, a boca do rio, os mangues, e isso
aconteceu de forma muito dinâmica”, contou.

Segundo o pesquisador, esse trabalho foi realizado, na maioria das vezes, sem o
uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o que favoreceu o
contato direto com o petróleo, seja pela pele, pelo cheiro ou pelo contato com
resíduos que permaneceram na água mesmo após a limpeza.

A partir desse cenário, o pesquisador destaca que os pescadores sofreram o que o
estudo classifica como uma “dupla exposição”: a primeira durante a limpeza
inicial das áreas afetadas e a segunda, no contato contínuo com resíduos
presentes no ambiente durante o trabalho da pesca.

O estudo também se baseia em referências internacionais, como pesquisas sobre o
vazamento de petróleo no Golfo do México, ocorrido em 2010, que despejou óleo de
forma ininterrupta por 87 dias após uma explosão. Segundo José Erivaldo, esses
trabalhos apontam impactos duradouros na saúde.

“Nos baseamos também no campo da literatura, principalmente nos estudos do Golfo
do México, depois de 10 anos que ocorreu o acidente com o derrame de petróleo
lá. A gente consegue perceber a associação com estresse pós-traumático e quadros
de ansiedade com um risco maior de doenças cardiológicas”, detalhou.

De acordo com o pesquisador, esse alerta reforça também a necessidade de
acompanhamento contínuo da saúde das populações expostas ao petróleo no litoral
pernambucano.

Ele também destacou a importância de preparar o sistema público de saúde para
lidar com esse tipo de exposição.

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