Estudo sobre impacto da flutuação hormonal na saúde da mulher: projeto WINE

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Pesquisadora estuda impacto da flutuação hormonal na saúde da mulher em diferentes fases da vida

Projeto WINE, liderado por uma pesquisadora de Presidente Prudente (SP), investiga como hormônios influenciam imunidade e metabolismo feminino. Estudo busca traduzir ciência para rotina das mulheres.

Bárbara Antunes é PhD em ciências da motricidade e pesquisadora na Unesp de Presidente Prudente (SP) — Foto: Bárbara Antunes/Arquivo pessoal

O período hormonal das mulheres varia conforme a idade e a fase do ciclo menstrual. Apesar de fazer parte da rotina feminina, o tema ainda é cercado por tabus. Foi a partir dessa realidade que uma pesquisadora de Presidente Prudente (SP) decidiu se aprofundar nos estudos para compreender melhor a chamada flutuação hormonal.

PhD em ciências da motricidade, área que investiga a ação humana, Bárbara Antunes passou a desenvolver pesquisas com foco no corpo feminino após vivências pessoais. Hoje, ela dedica seus estudos a temas nos quais as mulheres são o centro da investigação científica.

Ao DE, a pesquisadora, que possui o mais alto grau acadêmico na área, explicou como o estudo pode contribuir para a rotina das mulheres ao analisar diferentes fases da vida, como o período reprodutivo, entre os 18 e 35 anos, e a fase da menopausa.

“O principal intuito da pesquisa WINE (Women, Immunology, Nutrition and Exercise) é compreender, em profundidade, como os hormônios sexuais femininos modulam a inflamação e o metabolismo de células imunes ao longo das diferentes fases da vida da mulher”, afirma Bárbara.

Do ponto de vista científico, a pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente pretende revelar mecanismos biológicos historicamente pouco estudados. Segundo ela, isso ocorre porque a fisiologia feminina sempre foi considerada “complexa demais” e, por esse motivo, muitas vezes excluída de grandes ensaios clínicos e experimentais.

Na prática, a pesquisa é dividida em duas frentes, que consideram cenários biológicos distintos nas mulheres. O primeiro envolve a flutuação hormonal mensal, com variações nas concentrações de hormônios ao longo do ciclo menstrual.

“Esses altos e baixos podem causar mudanças na energia, humor, sono, fome, retenção de líquido e até na sensibilidade física. É como se o organismo passasse por pequenas ‘marés internas’ que variam de fase para fase, e isso é normal”, afirma.

O segundo cenário é marcado pelo declínio hormonal, quando os hormônios sexuais, especialmente o estrogênio, caem de forma significativa, dando início à menopausa.

QUESTIONAMENTOS

De acordo com a pesquisadora, essa flutuação hormonal tem sido objeto de estudo porque o estrogênio — embora não seja o único hormônio sexual relevante, já que progesterona e andrógenos também desempenham papéis importantes — exerce influência significativa sobre diferentes aspectos da saúde da mulher.

Com a pesquisa, Bárbara busca responder questionamentos ainda pouco explorados pela ciência.

> “Será que nos momentos em que, naturalmente, as mulheres apresentam baixas concentrações de estrogênio, elas ficam mais vulneráveis a doenças, processos inflamatórios, infecções ou outros agravos à saúde? Ou será que nessas fases elas ficam menos responsivas e se beneficiam menos da prática de exercício físico?”, questiona.

Segundo a pesquisadora, essas dúvidas representam lacunas científicas importantes. “Queremos entender a fundo como o corpo da mulher responde a essas diferentes fases, já que passamos mensalmente por essa oscilação hormonal ao longo de muitos anos da vida”, afirma.

Um dos objetivos do estudo também é comunicar a ciência de forma acessível, traduzindo achados complexos para uma linguagem clara. “Assim, as mulheres podem compreender como hormônios, imunidade e estilo de vida influenciam o bem-estar e tomar decisões mais informadas sobre exercício, alimentação, acompanhamento médico e saúde reprodutiva”, explica.

IMPORTÂNCIA DO ESTUDO

Outro ponto destacado na pesquisa é a valorização da presença feminina na ciência, não apenas como participantes, mas como protagonistas na construção do conhecimento sobre a própria saúde.

Além disso, Bárbara ressalta a importância do exercício físico ao longo de todas as fases da vida da mulher. Segundo ela, na menopausa e no período pós-menopausa, quando ocorre a queda natural dos hormônios, a prática de atividades físicas se torna ainda mais essencial.

“O exercício reduz ondas de calor, melhora o sono e o humor, protege os ossos, ajuda no controle do peso e mantém o sistema imunológico mais eficiente”, explica a pesquisadora, formada em educação física.

“Se movimentar faz com que o corpo responda melhor às mudanças hormonais, tanto mês a mês quanto ao longo do envelhecimento”, completa.

Atualmente, a pesquisa segue em fase de desenvolvimento, com delineamento dos estudos e recrutamento de voluntárias. Bárbara também afirma que está selecionando alunos para integrar o projeto como bolsistas. A previsão é que o estudo comece, na prática, em 2026.

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