O encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, afirmou nesta 4ª feira (18.mar.2026) que o governo norte-americano está em discussões com a administração brasileira sobre um acordo envolvendo a exploração de terras raras, mas ainda aguarda “uma resposta formal“.
A declaração se deu em resposta a jornalistas durante cerimônia de assinatura, em São Paulo, de um memorando de entendimento entre o governo dos EUA e o Estado de Goiás acerca da cooperação em minerais críticos e terras raras. Participaram o governador e candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), Escobar e outras autoridades goianas e norte-americanas.
O acordo se antecipa ao governo federal, que desde 2025 realiza tratativas com o lado norte-americano para o fornecimento de minerais críticos, mas sem chegar a um resultado. O Brasil tem a 2ª maior reserva global de terras raras no mundo, só atrás da China, que monopoliza o setor.
Em visita à Índia em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil precisa aproveitar suas reservas para impulsionar a indústria nacional. “Nós não queremos apenas exportar matéria-prima. Queremos produzir aqui e gerar emprego aqui”, declarou.
Em seu discurso de abertura, Caiado categorizou o acordo como “o mais importante em toda a história do Estado de Goiás”, do ponto de vista geoeconômico. O governador disse que, com o acordo feito com o governo norte-americano, “Goiás deixa de ser apenas um Estado que fornece matéria-prima, como, por exemplo, o Pará”. Classificou a relação como uma parceria.
A mineradora pertence aos grupos de private equity Denham Capital e EMG (Energy and Minerals Group), com sede nos EUA, e Vision Blue, com sede no Reino Unido, e anunciou em fevereiro que um fundo estatal norte-americano lhe garantiu US$ 565 milhões em financiamento.
Segundo o Consulado Geral dos EUA, o memorando assinado foca em “pesquisa, capacitação e um ambiente regulatório transparente e competitivo, além de estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado e apoiar o desenvolvimento de processamento e manufatura de maior valor agregado em Goiás”.
As terras raras são consideradas insumos estratégicos para a transição energética e digital. São utilizadas na fabricação de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos militares. A disputa global por esses minerais tem aumentado nos últimos anos, sobretudo em meio à rivalidade comercial e tecnológica entre EUA e China.



