O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 2, a implementação de novas tarifas sobre produtos importados, justificando a medida como uma forma de estimular a indústria nacional e equilibrar as relações comerciais. O Brasil foi incluído na decisão e terá uma taxa de 10% sobre suas exportações para o mercado americano.
A decisão foi divulgada pelo ex-presidente Donald Trump durante um evento na Casa Branca. Segundo ele, as tarifas aplicadas aos parceiros comerciais serão “parcialmente recíprocas”, ou seja, não irão igualar totalmente os tributos cobrados por outros países, mas terão um impacto significativo. “Estamos sendo muito gentis. Vamos cobrar aproximadamente metade do que nos cobram”, afirmou Trump.
Além do Brasil, diversos países sofrerão sanções semelhantes, com uma taxa mínima de 10% sobre produtos exportados para os EUA. A nova regra começa a valer neste sábado, 5, e faz parte de uma estratégia mais ampla do governo americano para reduzir sua dependência de importações e incentivar a produção nacional.
Entre os setores brasileiros que devem sentir os efeitos da decisão está a indústria do aço. O Brasil é um dos principais fornecedores desse produto para os Estados Unidos, ao lado de México e Canadá. Em 2023, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 2,66 bilhões. Além disso, o setor automotivo também pode ser afetado, já que autopeças fabricadas no Brasil representaram cerca de US$ 1,3 bilhão em exportações para os EUA no último ano.
A imposição dessas tarifas ocorre em um contexto de tensão crescente entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais. Trump já havia adotado medidas semelhantes contra a China, aplicando tarifas de 20% sobre importações do país asiático, além de sobretaxas de 25% sobre aço e alumínio provenientes de diversas nações.
A decisão, no entanto, não passou despercebida pelo governo brasileiro. Um dia antes do anúncio oficial, o Senado aprovou um projeto de lei que autoriza retaliações comerciais contra países que impõem barreiras a produtos do Brasil. O texto será analisado pela Câmara dos Deputados nos próximos dias.
Especialistas alertam que a nova política tarifária pode trazer consequências negativas para os Estados Unidos, como aumento da inflação e impacto na relação com parceiros comerciais. De acordo com o Deutsche Bank Research, as tarifas de importação no país já atingiram 12% em média – o maior patamar desde a Segunda Guerra Mundial. Com as novas medidas, esse percentual pode chegar a 18%, aproximando-se dos níveis registrados nos anos 1930, época da Grande Depressão.
A previsão é que as sobretaxas entrem em vigor no dia 9 de abril, atingindo cerca de 60 países. A Casa Branca informou que as tarifas foram ajustadas de acordo com critérios específicos para cada nação, levando em conta as práticas comerciais adotadas por cada uma delas.