Os Estados Unidos autorizaram tarifas contra parceiros comerciais do Irã e acenderam alerta sobre impactos no Brasil. A ordem executiva, assinada por Donald Trump, prevê sobretaxas que podem chegar a 25%. A medida foi anunciada nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, e entrou no centro do debate internacional por ampliar a pressão econômica de Washington sobre Teerã.
De acordo com a RT Brasil, a nova ordem executiva autoriza a imposição de tarifas adicionais sobre importações de países que mantenham relações comerciais diretas ou indiretas com o Irã. O texto destaca que as ações do governo iraniano representam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos, justificando a atualização das sanções e punições comerciais.
O ponto mais sensível da ordem executiva é a autorização para aplicar tarifas adicionais sobre bens importados de países que adquiram bens ou serviços iranianos, mesmo que de forma indireta. As sobretaxas podem chegar a 25% e incluem transações mediadas por intermediários ou terceiros países. A medida entrou em vigor à 0h01 do dia 7 de fevereiro de 2026, sinalizando que Washington pretende pressionar não apenas o alvo direto, mas também as cadeias de comércio em que o Irã participe.
O Brasil está no radar devido ao comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025. O país foi o quinto principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com destaque para o agronegócio, especialmente milho e soja. As importações brasileiras de produtos iranianos também são relevantes, destacando adubos e fertilizantes químicos. O comércio bilateral resultou em um superávit de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, mostrando a concentração do comércio brasileiro em exportações.
A ordem executiva projeta um mecanismo de alcance extraterritorial ao atrelar tarifas a relações comerciais diretas ou indiretas com o Irã. Isso pode aumentar o custo de negócios e a incerteza para países e empresas inseridos em cadeias internacionais. Para o Brasil, o potencial impacto inclui o comércio direto com Teerã e questionamentos sobre insumos, intermediários e rotas de exportação.
Em meio à elevada tensão entre Washington e Teerã, Trump destacou a movimentação militar americana na região e mencionou negociações indiretas com o Irã. Os contatos indiretos entre Estados Unidos e Irã são mediados por Omã. A resposta militar iraniana alerta sobre uma possível declaração de guerra. A dinâmica das negociações e a forma como Washington operacionalizará a ordem executiva são essenciais para observar a evolução do quadro.
O Brasil enfrenta a geopolítica e economia real nesse contexto. As exportações de milho e soja ao Irã são fundamentais, mas o comércio internacional enfrenta crescentes condicionantes, como sanções e controles financeiros. Em um cenário global de disputas de poder, tarifas “punitivas” estão sendo usadas como ferramentas de coerção geopolítica, pressionando países exportadores a lidar com ambientes instáveis e regras reconfiguradas por potências mundiais.




