Ana Sofia Terlica, ex-adjunta e ex-economista-chefe nos Governos de António Costa, vai ser a próxima coordenadora da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), entidade que presta apoio aos deputados da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP) da Assembleia da República, de acordo com a ordenação final dos candidatos do concurso, limitado a trabalhadores da esfera da Administração Pública, publicada na página do Parlamento.
Pela consulta do procedimento de seleção de um coordenador e três técnicos para, em regime de cedência de interesse público ou de mobilidade interna, desempenharem funções na Unidade Técnica de Apoio Orçamental, a economista Ana Sofia Terlica, quadro do Banco de Portugal (BdP), foi a primeira classificada, com uma nota final de 19,36 (numa escala de zero a 20 valores).
Ana Sofia Terlica Pereira, de 46 anos, vai assumir então a coordenação da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), o organismo independente que assessora o Parlamento na análise das contas públicas e do desempenho orçamental. A escolha recai sobre um perfil com experiência técnica acumulada tanto no Banco de Portugal (BdP) como na própria unidade que agora irá liderar.
Com doutoramento em Economia pelo ISEG, Terlica é economista do BdP desde 2002, onde trabalhou em áreas como estatística, mercados financeiros e estudos econômicos. Entre 2013 e 2018 integrou precisamente a UTAO, período durante o qual participou na análise de momentos críticos da política orçamental portuguesa, incluindo os anos posteriores à crise da dívida soberana.
Em 2018, transita para o Governo como técnica especialista no gabinete do secretário de Estado do Orçamento, na altura sob a tutela do socialista João Leão. Um ano depois, integra o gabinete da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, como adjunta, funções que voltou a desempenhar em 2022, assumindo também responsabilidades como economista-chefe.
No exercício destas funções, esteve envolvida na análise e acompanhamento de políticas públicas com impacto territorial, num contexto marcado pela execução de fundos europeus e pela necessidade de reduzir assimetrias regionais. O trabalho desenvolvido viria a ser reconhecido com um louvor público.
Paralelamente, manteve atividade acadêmica, lecionando em instituições de ensino superior como a Universidade Europeia ou a Universidade da Beira Interior.
A nomeação é vista como um regresso a uma casa que conhece bem. A UTAO, que funciona junto da Assembleia da República, tem como missão prestar apoio técnico aos deputados, analisando o Orçamento do Estado, a execução orçamental e outros instrumentos de política financeira.
O procedimento concursal visou ainda o preenchimento de três lugares para o cargo de técnico da UTAO. Pedro Jorge de Castro Ferreira Medeiros, com uma nota de 19,38 valores, Samuel Bruno dos Prazeres Borralho, com 18,96, e Maria Ângeia Dionísio, com 18,84, sãos os finalistas que vão ocupar as três cadeiras vagas, segundo o projeto de lista de ordenação final, publicado no site do Parlamento.
Com este reforço, o quadro de pessoal da unidade técnica que presta apoio aos deputados em matéria de finanças e procedimento orçamental subirá de quatro para oito elementos (um dos quais é o coordenador).
O lugar de coordenação da UTAO ficou livre no segundo trimestre do ano passado, com a saída de Rui Baleiras, que o primeiro Executivo de Luís Montenegro nomeou, em 10 de abril, vice-presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).




