O ex-primeiro-ministro da Coreia do Sul, Han Duck-soo, foi condenado a 23 anos de prisão por sua participação direta na tentativa fracassada do então presidente Yoon Suk-yeol de impor a lei marcial em dezembro de 2024. Essa sentença marca o primeiro desfecho judicial relacionado aos eventos que abalaram a democracia sul-coreana e resultaram no impeachment de Yoon, que ainda enfrenta um processo separado com potencial de receber a pena máxima.
A decisão foi anunciada pelo Tribunal Distrital Central de Seul nesta quarta-feira (21), onde Han foi considerado culpado por colaborar com o que foi classificado como uma insurreição pelo sistema de Justiça. Apesar de o Ministério Público ter solicitado uma pena de 15 anos de prisão, os juízes optaram por uma punição mais severa devido à gravidade dos acontecimentos. O juiz Lee Jin-gwan justificou a sentença afirmando que Han falhou em cumprir seu dever constitucional ao convocar uma reunião de gabinete e incentivar o ministro do Interior a executar ordens presidenciais que implicavam em medidas repressivas contra veículos de comunicação.
A tentativa de imposição da lei marcial pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol durou apenas algumas horas e foi rapidamente revertida pelo Parlamento. Apesar da mobilização das forças de segurança para bloquear o prédio da Assembleia Nacional, os parlamentares conseguiram se reunir e votar contra tal medida. As tropas se recusaram a seguir ordens consideradas ilegais e manifestantes ocuparam as ruas em protesto.
O julgamento de Yoon, apontado como o principal articulador da iniciativa, foi concluído na semana anterior e a sentença está agendada para o dia 19 de fevereiro. Enquanto os promotores pediram a pena de morte, analistas jurídicos acreditam que uma condenação à prisão perpétua é mais provável. O ex-presidente defende suas ações afirmando que agiu dentro de suas prerrogativas constitucionais, mencionando um impasse legislativo envolvendo parlamentares que ele associou a Pyongyang.




