Ex-príncipe Andrew exposto em fotos de documentos do caso Epstein

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Imagens divulgadas pelas autoridades dos Estados Unidos nesta sexta-feira voltaram a expor o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor no contexto das investigações relacionadas ao financista Jeffrey Epstein. As fotografias mostram o ex-integrante da família real britânica ajoelhado sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, deitada no chão. O governo americano não apresentou explicações sobre as circunstâncias em que os registros foram feitos.
O material foi divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA como parte de um novo lote de documentos ligados ao caso Epstein. Em pelo menos duas imagens, Andrew aparece apoiado sobre a mulher, tocando a lateral de seu corpo. Em outra fotografia, ele encara diretamente a câmera. Não há informações oficiais sobre o local ou a data em que as fotos foram registradas.
As imagens integram um conjunto de mais de três milhões de páginas, além de 180 mil fotografias e cerca de dois mil vídeos, liberados no âmbito das investigações sobre Epstein, que morreu na prisão em 2019 após ter sido condenado por crimes sexuais. As autoridades americanas não detalharam o contexto das imagens envolvendo o ex-príncipe.
O novo lote de documentos também reúne trocas de e-mails que sugerem convites feitos por Epstein a Andrew. Mensagens de 11 e 12 de agosto de 2010, trocadas entre Epstein e uma conta identificada como “O Duque”, indicam a intenção de apresentar o então ex-príncipe a uma mulher russa de 26 anos que estaria em Londres naquele período. Em uma das mensagens, Epstein afirma que Andrew “poderia gostar de jantar” com a jovem.
Na resposta atribuída a Andrew, ele diz que estaria em Genebra “até a manhã do dia 22, mas ficaria encantado em vê-la” e pergunta: “Ela trará uma mensagem sua? Por favor, dê a ela meus dados de contato para que ela entre em contato.” Em seguida, questiona se há “alguma outra informação que você possa saber sobre ela que seja útil?”. Epstein responde descrevendo a mulher como “26 anos, russa, inteligente, bonita, confiável” e acrescenta que ela já possuía o e-mail do ex-príncipe.
As mensagens teriam sido trocadas pouco depois de Epstein cumprir pena por aliciar sexualmente uma menina de 14 anos na Flórida, condenação ocorrida em 2008. A autenticidade dos e-mails não foi verificada de forma independente. Outro e-mail divulgado, datado de 27 de setembro de 2010, mostra Epstein e a conta “O Duque” discutindo um jantar no Palácio de Buckingham, descrito como um local com “muita privacidade”. As mensagens não indicam, por si só, a ocorrência de irregularidades.
Entre os documentos divulgados, há também um pedido formal de 2020 das autoridades americanas solicitando cooperação para entrevistar Andrew. O texto afirma que investigadores acreditavam que “o príncipe Andrew pode ter sido testemunha e/ou participante de certos eventos relevantes para a investigação em curso”. O documento menciona indícios de que ele tinha conhecimento das atividades de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein condenada por tráfico de meninas menores de idade, e aponta “evidências de que o príncipe Andrew se envolveu em conduta sexual com uma das vítimas de Epstein”.
A carta ressalta, no entanto, que Andrew não era alvo da investigação e que, até então, não havia provas de que tivesse cometido crimes segundo a legislação americana. O ex-príncipe negou repetidamente qualquer irregularidade relacionada a Epstein e afirmou que não “viu, testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do tipo que posteriormente levou à sua prisão e condenação”.
Em 2022, Andrew firmou um acordo com a americana Virginia Giuffre para encerrar um processo em que ela o acusava de abuso sexual quando tinha 17 anos, em 2001. Giuffre afirmou que Epstein a levou a Londres e a apresentou ao então príncipe. Andrew também nega essas acusações. Os arquivos divulgados incluem ainda e-mails que parecem ter sido trocados entre Epstein e Sarah Ferguson, ex-mulher de Andrew. Em uma mensagem de 4 de abril de 2009, assinada “Com amor, Sarah, a ruiva!!”, ela escreve: “Olá, Jeffrey. Estou aterrissando em Palm Beach em algumas horas. Há alguma chance de eu conseguir tomar uma xícara de chá durante minha rápida escala…?” Em outro trecho, Ferguson se refere a Epstein como “meu querido, espetacular e especial amigo Jeffrey”.
A liberação dos chamados “arquivos Epstein” ocorre semanas após o Departamento de Justiça descumprir o prazo legal estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que determinava a divulgação integral dos documentos relacionados ao caso. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que “a divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas”.
Além do material envolvendo o ex-príncipe Andrew, os arquivos incluem relatórios sobre o período de Epstein na prisão, um exame psicológico e registros ligados à investigação e à condenação de Ghislaine Maxwell.

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