As investigações revelam que Paula Celina e o então prefeito de Pio XII, Raimundo Rodrigues Batalha, autorizaram 84 dispensas indevidas de licitação que deveriam ter sido realizadas de acordo com a legislação vigente. O intuito do sistema de licitações é garantir transparência e igualdade entre os fornecedores. O esquema fraudulento foi descoberto a partir de um Relatório de Informação Técnica do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE/MA) que identificou a emissão de notas de empenho e ordens de pagamento duplicadas.
De acordo com as informações colhidas pelo MPF, a ex-secretária aparecia como responsável pelas despesas em diversos casos, assinando documentos relacionados a contratações realizadas sem seguir o devido processo de licitação ou a formalização adequada, conforme a Lei nº 8.666/1993. Durante as investigações, testemunhas, incluindo o ex-secretário de finanças e irmão de Paula Celina, confirmaram que os secretários municipais assinavam as notas de empenho e as ordens de pagamento. Em sua defesa, a ex-secretária alegou não ter responsabilidade direta sobre os atos, apenas assinando documentos preparados pelo gabinete do prefeito.
A sentença da Justiça Federal rejeitou as alegações de Paula Celina e afirmou que ela teve participação ativa na execução das despesas públicas. Mesmo que não fosse a responsável por iniciar as contratações ilegais, como gestora, ela tinha o dever legal de garantir a conformidade dos gastos com a legislação. Com a condenação à prisão, Paula Celina também foi obrigada a pagar duzentos dias-multa, calculados com base no salário-mínimo de 2010, além da suspensão de seus direitos políticos.
Durante o desenrolar do processo, a Justiça Federal reconheceu que o ex-prefeito de Pio XII não poderia mais ser culpado, pois o prazo legal para sua condenação já havia expirado. Levando em consideração a idade avançada do ex-gestor em 2018, que tinha 79 anos na época dos fatos, o MPF formalizou o término do prazo em setembro de 2018. Dessa forma, o juízo decidiu prosseguir apenas com a denúncia contra Paula Batalha, mantendo sua responsabilização pelos atos ilícitos.



