Êxodo de deputados tucanos para o PSD sinaliza fim do PSDB em SP

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Saída de deputados estaduais do PSDB para o PSD aponta para fim do partido em SP

Remanescentes comentam êxodo do partido, surgido de lideranças paulistas, que
elegeu governadores por quase três décadas no estado e teve dois mandatos
presidenciais. Em 2022, tucanos perderam comando do estado e, em 2024,
encolheram em prefeituras.

Deputados do PSDB e Cidadania migram para o PSD, partido de Gilberto
Kassab — Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (5), um café da manhã com Gilberto Kassab e sete
representantes da federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa de SP
(Alesp) selou um cenário de êxodo que já se desenhava há cerca de um ano.

Seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania vão, a partir de 4 de março,
se filiar ao partido comandado por Kassab. Com isso, a federação deixa de ter a terceira maior bancada na Alesp, após
décadas de predomínio tucano na política paulista.

HEGEMONIA E ENCOLHIMENTO

Surgido de uma dissidência progressista do MDB em 1988, no período da Assembleia
Constituinte, o PSDB teve, desde a origem, forte ligação com o estado. Os
próceres do partido em sua criação são em sua maioria políticos paulistas,
dentre os quais Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mário Covas e José
Serra.

A partir de 1994, o PSDB elegeu o governador de São Paulo em sete eleições
consecutivas. A hegemonia acabou em 2022, com a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A
derrota de Rodrigo Garcia na ocasião foi o desfecho de uma crise que já vinha se
desenhando, agravada por disputas internas entre João Doria e outras lideranças do
partido.

No racha levou o PSDB a abrir mão de uma candidatura própria à Presidência em
2022 — fato inédito em sua trajetória. Dois anos depois, outro sintoma da erosão
da legenda: na janela partidária de 2024, oito vereadores tucanos da capital
paulista deixaram a sigla.

Na eleição municipal, mais golpes: o partido não conseguiu eleger prefeitos em
nenhuma capital brasileira, nem obteve representação na Câmara Municipal de São
Paulo. No estado, viu seu número de prefeituras encolher de 173 para 21.

No ano passado, a discussão sobre uma eventual fusão ou até mesmo capitulação
ganhou corpo. A Assembleia Legislativa, no entanto, seguia como um baluarte. Com
a terceira maior bancada graças à federação com o Cidadania, o PSDB garantiu um
assento na Mesa Diretora, com a representação de Barros Munhoz.

As deputadas remanescentes do PSDB na Alesp, Carla Morando e Bruna Furlan.

Agora, com a saída de 6 dos 8 tucanos e de mais um deputado do Cidadania — 7 dos
11 da federação, portanto —, a bancada passa a ser de apenas 4 deputados na Casa.
São 2 do PSDB e 2 do Cidadania. É o mesmo que MDB e PSB, hoje empatados como a
oitava bancada na Alesp.

Uma das duas remanescentes do PSDB, a deputada Carla Morando afirmou que também
vai deixar o partido, mas que ainda não definiu seu destino. “Não participei do
café”, disse, sobre a reunião dos correligionários com Kassab.

Por parte do Cidadania, Ana Carolina Serra afirmou não pensar em mudança de
legenda, por ora. “Mas desde o ano passado vejo as pessoas ansiosas. A janela
partidária só começa em março e até lá temos trabalho pela frente.”

Marido de Ana Carolina, o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra — ex-prefeito
de Santo André — afirmou que o partido lamenta “profundamente esta forma
desrespeitosa de cooptação de quadros” e que o “canibalismo” na base de Tarcísio
“em nada ajuda a construção de um projeto nacional de centro”.

Em 4 de outubro, as eleições vão mudar a composição da Casa para os próximos
quatro anos.

O QUE DIZ O PSDB

Leia na íntegra a nota da executiva estadual do partido:

“Lamentamos profundamente esta forma desrespeitosa de cooptação de quadros.

Quero ressaltar que continuo respeitando muito o presidente do PSD e reconheço
nele um grande dirigente partidário, no entanto, esse tipo de ‘canibalismo’
dentro da base do Governador Tarcísio em nada ajuda a construção de um projeto
nacional de centro.

O PSDB está passando por um processo de transformação e isso exige mudança de
atitude.

Da mesma forma que tem gente saindo, tem grandes quadros ingressando com sangue
novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de governo que já
provou que dá certo!

O fato é que o PSD é da base do PT no Governo Federal e contribui com um modelo
de gestão que não funciona mais. Isso certamente poderá ser explorado na eleição
daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil.

Paulo Serra
Presidente estadual do PSDB SP”

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