BELO HORIZONTE (MG) — Duas famílias da Região Metropolitana de Belo Horizonte denunciam a demora na transferência de pacientes internados em unidades de pronto atendimento (UPAs), mesmo após decisões judiciais que determinam o encaminhamento para hospitais de maior complexidade. Em Ribeirão das Neves, um homem de 47 anos aguarda cirurgia há duas semanas após sofrer fraturas na bacia e no cóccix. Em Sabará, uma idosa de 77 anos está entubada há mais de 15 dias à espera de uma vaga em centro de terapia intensiva (CTI).
Famílias denunciam espera por transferência mesmo com ordem judicial
Na UPA de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, Francisco Firmino, de 47 anos, está internado desde o acidente que provocou fraturas na bacia e no cóccix. A família relata que, no início de junho, a Justiça determinou a transferência do paciente para uma unidade hospitalar capaz de realizar a cirurgia necessária, mas até o momento ele permanece na unidade de pronto atendimento. “Ele está emagrecendo. Quanto mais demora, maior o risco de sequelas. É muito triste”, desabafou a esposa, Rosilaine de Almeida, em entrevista aos veículos de imprensa. A Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que o paciente recebe assistência na UPA enquanto aguarda a vaga.
Em Sabará, a situação é semelhante. A aposentada Geralda Braga, de 77 anos, deu entrada na UPA Padre Lázaro no dia 26 de maio após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Desde então, permanece entubada e aguarda transferência para um CTI. A família acionou o Ministério Público, que obteve uma decisão judicial determinando a transferência imediata, inclusive para a rede particular caso não haja vaga pelo SUS. “Cada dia dão uma data diferente. Minha mãe continua no mesmo estado”, afirmou o filho, Carlos Braga de Alcântara. Segundo a Prefeitura de Sabará, seis hospitais consultados na última terça-feira recusaram a paciente por falta de leitos.
Quase mil pacientes aguardam leitos na capital mineira
Os dois casos refletem a pressão que o sistema de regulação de leitos enfrenta em toda a região. Segundo dados oficiais divulgados pela Prefeitura de Belo Horizonte, 949 pacientes aguardavam internação hospitalar na capital nesta semana. Desse total, cerca de 61% são moradores de outros municípios, o que mostra a dependência da rede da capital por parte das cidades vizinhas. Desde maio, a regulação das transferências passou a ser feita pela Central de Operações para Regulação Estadual (Core), que substituiu o antigo sistema SUSFácil e atua de forma integrada com a Central de Internação de Belo Horizonte. A situação evidencia um gargalo histórico no atendimento de média e alta complexidade em Minas Gerais.
O que dizem os órgãos responsáveis sobre a crise nos leitos
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a Core realiza busca ativa por vagas compatíveis com a necessidade clínica de cada paciente, contando com mais de 200 médicos na análise dos casos e na definição dos encaminhamentos. Já a Central de Internação de Belo Horizonte destacou que o tempo de espera varia conforme a gravidade do quadro clínico e a disponibilidade de vagas na rede hospitalar. As famílias, porém, seguem sem previsão de transferência, enquanto o drama se repete em diversas unidades de pronto atendimento do estado.



