Família Aguiar é destaque na investigação policial que mobiliza o Rio Grande do Sul: o sangue encontrado pela perícia na residência da filha desaparecida foi confirmado como pertencente a ela e ao pai. O caso, que já dura mais de dois meses, envolve o desaparecimento de três pessoas de uma mesma família em Cachoeirinha e tem balanço comovente na Região Metropolitana, atraindo intensa cobertura e repercussão na imprensa estadual.

De acordo com informações colhidas pelo DE, a Polícia Civil deve indiciar o policial militar Cristiano Domingues Francisco pelo desaparecimento, morte e ocultação dos corpos da ex-mulher, Silvana Aguiar, e dos sogros, Isail e Dalmira Aguiar. A expectativa é que o inquérito seja encaminhado ao Ministério Público até esta sexta-feira, marcando um novo capítulo dramático da investigação. Além de Cristiano, outras três pessoas estão entre os indiciados – a atual esposa do PM e o irmão dele (por fraude processual) e um amigo suspeito de mentir em depoimento.

Os trabalhos de perícia ao longo da semana trouxeram mais respostas, identificando que o sangue recolhido na casa de Silvana pertence tanto a ela quanto ao pai. Esse resultado reforça a linha investigativa de feminicídio e duplo homicídio, considerada pela polícia diante das motivações ligadas à disputa pela criação do filho do ex-casal e questões patrimoniais da família. Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro e, até o momento, tanto ela quanto os pais seguem desaparecidos, fato que mantém a comoção e busca por respostas em todo o estado.

Avanços da perícia e investigação policial

A confirmação sobre o sangue representa importante avanço técnico nas apurações, já que os laudos embasam as próximas etapas judiciais do processo. Investigadores destacam que a movimentação de veículos em horários atípicos, registrada por câmeras de segurança nos dias do desaparecimento, chamou atenção e passou a ser detalhadamente analisada. Estas imagens revelam a entrada e saída de diferentes carros no imóvel de Silvana entre 20h e 23h30, na noite do dia 24 de janeiro, informação considerada crucial para o desdobramento das investigações.

Outro ponto decisivo foi a localização do celular de Silvana, encontrado no início de fevereiro em um terreno baldio próximo à residência dos pais e cuja perícia mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, contrariando a publicação feita no perfil da vítima em rede social. Segundo o delegado responsável, essas tentativas de despistar familiares e autoridades estariam diretamente ligadas à ação do principal suspeito, que já se encontra preso preventivamente. Familiares da vítima e diversas entidades passam a intensificar mobilizações por respostas e justiça, realizando protestos em Cachoeirinha.

A investigação também detalha o comportamento do PM após o desaparecimento. Os registros mostram que ele esteve presente em diferentes ocasiões nas casas da ex-mulher e dos sogros, além de buscar o Conselho Tutelar para requerer a guarda do filho. Em depoimento, Cristiano preferiu o silêncio, em estratégia apontada pela defesa como forma de garantir todas as possibilidades legais. Apesar disso, áudios divulgados pelo DE apontam que ele teria tentado interferir no andamento da apuração, o que contribui para o agravamento da situação judicial do investigado.

Linha do tempo evidencia roteiro do crime

O caso da família Aguiar comove não só os moradores de Cachoeirinha, mas atinge grande repercussão na imprensa gaúcha pelo desenrolar minucioso da apuração. Desde o início de janeiro, Silvana insistia em registrar problemas com o ex-marido, inclusive preocupações com as restrições alimentares do filho. Essas ocorrências foram determinantes para que o Conselho Tutelar e a polícia fossem acionados antes mesmo do sumiço da família, traçando uma linha do tempo fundamental para o esclarecimento dos fatos.

A área pericial teve papel fundamental: entre 5 e 7 de fevereiro, buscas detalhadas resultaram na coleta de material genético na residência de Silvana e resultaram na identificação do sangue encontrado. O pátio da residência dos pais foi outro cenário de investigação, com a localização de um projétil de arma de fogo – posteriormente identificado como cartucho de festim. Detalhes como esses ofertam novos caminhos à polícia, inclusive para buscas com cães farejadores em áreas de mata e rios nos arredores de Cachoeirinha e região metropolitana.

Com o desaparecimento completando dois meses em março, a pressão popular e familiar aumentou. O caso ganhou destaque na mídia da capital e interior, mobilizando equipes de busca reforçadas inclusive por bombeiros e delegados especializados. A decretação da prisão preventiva de Cristiano Domingues Francisco representou ponto de inflexão, demonstrando que a Polícia Civil avança na materialização do inquérito e busca entregar provas sólidas ao Ministério Público, consolidando a linha investigativa.

Desdobramentos: impactos locais e expectativa por justiça

O caso não afeta apenas as famílias diretamente envolvidas, mas provoca alerta em toda a população do entorno de Porto Alegre, sobretudo ao escancarar fragilidades em questões de gênero e proteção à mulher. O feminicídio e o duplo homicídio são tratados com máxima prioridade pela polícia e justiça gaúcha, e o tema movimenta debates em escolas, organizações e veículos de imprensa sobre a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção e apoio às vítimas.

No decorrer das buscas, os órgãos de investigação ampliaram esforços conjuntos entre Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e entidades de direitos humanos, concentrando operações em áreas rurais e trechos de rios. O uso de cães farejadores e drones intensificou a varredura de regiões de difícil acesso na tentativa de localizar pistas ou mesmo os corpos das vítimas. Apesar do tempo decorrido – mais de 60 dias sem respostas conclusivas sobre o paradeiro da família – as autoridades reafirmam, reiteradamente, o compromisso com a elucidação total do caso.

Para os próximos dias, a expectativa se volta ao desfecho do inquérito e à formalização dos indiciamentos. O Ministério Público, que receberá o processo, terá o desafio de analisar as provas apresentadas e decidir sobre eventuais denúncias criminais. As famílias e a opinião pública aguardam ansiosamente por justiça, e questionam: o que esperar para os próximos dias diante da complexidade do crime e da insistência dos envolvidos em tentar dificultar o trabalho dos investigadores?

Segundo fontes do DE, a impossibilidade de localizar os corpos até o momento não impede o avanço do inquérito, pois a materialidade do feminicídio e dos homicídios é sustentada pelos laudos periciais, provas testemunhais e áudios apresentados ao longo da investigação. O delegado à frente do caso reforça que, apesar dos obstáculos, todas as linhas investigativas permanecem abertas até o encerramento formal do processo e encaminhamento à Justiça.

Enquanto isso, a comunidade de Cachoeirinha e cidades próximas segue mobilizada. Movimentos sociais, coletivos de direitos humanos e grupos de apoio às famílias vitimadas promovem vigílias, caminhadas e protestos regularmente. A repercussão do caso aumenta a responsabilidade das autoridades públicas, ao mesmo tempo em que contribui para ampliar o debate sobre segurança, justiça e prevenção de crimes contra mulheres, tema de extrema relevância no contexto estadual.

Este caso emblemático cristaliza a urgência de fortalecer redes de proteção e mecanismos de denúncia, além de chamar atenção para o acompanhamento efetivo de casos de violência doméstica e disputas judiciais por guarda de menores. Com o avanço das investigações, cresce também a cobrança por respostas efetivas e punição dos responsáveis, não apenas para consolo das famílias, mas para reafirmar o papel da justiça e do poder público diante de crimes que chocam a sociedade gaúcha.

O DE segue acompanhando cada atualização do inquérito, trazendo informações em tempo real e contextualizando os impactos do caso tanto em Cachoeirinha quanto em toda a Região Metropolitana. O caso da família Aguiar, pelo seu simbolismo e complexidade, se soma ao amplo debate público sobre segurança, justiça e proteção a minorias, marcando um dos episódios de maior comoção recente no estado.

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