Família desaparecida no RS: mistérios e investigações após três semanas

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Três semanas de família desaparecida: o que ainda falta esclarecer sobre mistério no RS

Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o final de janeiro. Policial militar, que é pai do filho da mulher, foi preso.

O que se sabe sobre o caso da família desaparecida no RS [https://s02.video.glbimg.com/x240/14334229.jpg]

O desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, completou três semanas.

A investigação aponta o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, como principal suspeito. Ele está preso temporariamente desde a última terça-feira (10).
Apesar disso, a polícia ainda tenta esclarecer uma série de pontos considerados essenciais para entender o que ocorreu.

A seguir, o DE separou os pontos que ainda precisam ser esclarecidos na investigação sobre o sumiço da família:

1. O que aconteceu no dia 24 de janeiro
2. Como e por que os pais desapareceram no dia seguinte
3. A movimentação dos celulares
4. A presença do suspeito nas casas da família
5. Os vestígios de sangue e material genético
6. A motivação exata do crime

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

O QUE ACONTECEU NO DIA 24 DE JANEIRO

A última movimentação confirmada de Silvana ocorreu na noite de 24 de janeiro. A postagem em suas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem.
Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu [https://DE.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/04/mulher-que-desapareceu-no-rs-relatou-em-rede-social-acidente-que-nao-aconteceu-diz-policia.ghtml] e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato. Ainda há dúvidas sobre quem realizou a publicação.
Além disso, imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro [https://DE.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/03/video-camera-de-seguranca-movimentacao-veiculos-casa-familia-desaparecida-no-rs-policia-investiga.ghtml]. Um carro vermelho entrou na residência da filha às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem.

Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou, permaneceu por 12 minutos e foi embora. O carro de Silvana foi encontrado com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou, segundo a investigação.

A polícia busca identificar os outros veículos.

COMO E POR QUE OS PAIS DESAPARECERAM NO DIA SEGUINTE

Isail e Dalmira foram atrás da filha no domingo, dia 25 de janeiro. Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais saíram para procurar Silvana. Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada.

Depois disso, eles também não foram mais vistos. Ainda não sei sabe para onde o casal foi depois de deixar a unidade policial.

A polícia tem indícios de que o suspeito esteve próximo da família Aguiar, principalmente dos pais de Silvana, no dia do desaparecimento do casal.

A MOVIMENTAÇÃO DOS CELULARES

A quebra de sigilo telefônico do PM
[https://DE.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/11/quebra-de-sigilo-telefonico-levou-policia-a-conseguir-prisao-de-pm-suspeito-de-desaparecimento-de-familia-no-rs.ghtml] foi o principal indício para a prisão temporária do policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana. A polícia identificou movimentação suspeita no aparelho dele [https://DE.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/11/quebra-de-sigilo-telefonico-levou-policia-a-conseguir-prisao-de-pm-suspeito-de-desaparecimento-de-familia-no-rs.ghtml]. Cristiano, a mãe e a atual companheira tiveram os celulares apreendidos. As mulheres são tratadas como testemunhas.

De acordo com a polícia, Cristiano e a atual namorada não forneceram as senhas dos aparelhos.

A quebra do sigilo telefônico permite à polícia identificar horários e locais em que o telefone foi utilizado, enquanto o acesso ao telefone por meio da senha permite acessar o conteúdo de mensagens e de arquivos armazenados no telefone.

Ao DE, a defesa do policial militar afirma que, “sem acesso a investigação, qualquer pessoa no Brasil tem o direito de permanecer em silêncio.”

A PRESENÇA DO SUSPEITO NAS CASAS DA FAMÍLIA

O delegado informou que a chave da casa dos idosos estava com Cristiano quando ele ainda era tratado como testemunha.

Além disso, após a prisão do suspeito, a reportagem teve acesso a materiais atribuídos ao ex-marido de Silvana. No dia 1º de fevereiro, Cristiano enviou uma foto de dentro da casa de Isail e Dalmira, mostrando um veículo que pertence ao casal. Em outro áudio, ele conta que entrou mais de uma vez nas casas ligadas à família Aguiar.

Inclusive, foi o próprio suspeito que fez o primeiro boletim de desaparecimento de Silvana.

OS VESTÍGIOS DE SANGUE E MATERIAL GENÉTICO

Perícias realizadas em duas casas da família e nos veículos encontraram:

– sangue no banheiro e na área externa da casa de Silvana
– material genético e impressões digitais em diferentes pontos;
– cartucho de festim na residência dos idosos.

“Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP”, explica o delegado Anderson Spier.

Conforme o delegado, não havia sinais de luta corporal nem de montagem de cena no local. “Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência”, complementa.

A polícia aguarda análises do IGP, assim como os resultados finais das perícias que foram feitas nas casas, no minimercado da família e em imagens de câmeras de segurança que mostram a movimentação nos dias dos desaparecimentos.

A MOTIVAÇÃO EXATA DO CRIME

A polícia trabalha com a possibilidade de homicídio, considerando que Silvana e o ex-marido não tinham uma boa relação. Os dois têm um filho de 9 anos, cuja rotina já era motivo de divergências: Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não respeitava as restrições alimentares do menino.

Com o sumiço de Silvana, foi Cristiano quem procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que o filho ficasse com ele durante as investigações. Agora, ele está com a avó paterna.

Ainda não se sabe, porém, qual teria sido o estopim para o crime — caso a hipótese se confirme —, nem se o desaparecimento dos três está diretamente relacionado aos desentendimentos familiares já conhecidos.

Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/DE

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