Fazenda passa por restauração e se torna RPPN em São João da Boa Vista (SP)
Após 30 anos de dedicação para recuperar nascentes e vegetação nativa, área
privada se torna refúgio para espécies e exemplo de proteção ambiental.
Será que é possível transformar uma antiga área de pastagem em um local verde
repleto de vida? Essa foi a questão que fez com que proprietários de uma fazenda
em São João da Boa Vista (SP) se dedicassem por três décadas em um amplo projeto
de restauração ambiental para tornar uma área privada em um oásis da região.
“Durante 30 anos foi desenvolvido um trabalho contínuo e consistente de
restauração, transformando antigas áreas de pastagem em florestas em regeneração
avançada. Esse processo incluiu recuperação de nascentes, recomposição da
vegetação nativa, proteção da fauna e monitoramento ambiental”, comenta
Herivelton Carlos Moreira, biólogo e educador ambiental que atua na propriedade.
Somado aos frutos colhidos dessas ações de recuperação ambiental, como o
“retorno” da biodiversidade local e o fato da fazenda ter se tornado uma
importante de corredor ecológico regional, foi possível realizar um grande
sonho: transformar a área em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural
(RPPN).
“A fazenda continua sendo privada, mas assume oficialmente o compromisso de
preservar seus ecossistemas. Além disso, a RPPN passa a integrar o Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), podendo acessar incentivos como
isenção de ITR na área protegida e prioridade em projetos ambientais”, explica
Camila de Oliveira, bióloga e coordenadora administrativa da Trilha Educar.
O interesse para se tornar uma RPPN parte dos proprietários, porém para
conseguir tal título é necessário passar por uma série de critérios e processos,
como: elaboração de estudos técnicos e ambientais da área, comprovação da
relevância ecológica, análise e aprovação pelo órgão ambiental competente
(Estadual ou Federal), publicação do reconhecimento oficial.
O que muda a partir dessa nomeação? A área particular passa a ter uso restrito à
conservação, pesquisa, educação ambiental e visitação controlada. No caso da
Fazenda Alegre, as atividades que já eram desenvolvidas no local serão mantidas
e agora ainda mais fortalecidas, a exemplo da observação da natureza, atividades
de sensibilização ecológica, pesquisas e trilhas interpretativas.
“Com a oficialização da RPPN nós gostaríamos de incentivar outras propriedades a
buscarem esse caminho. Aqui em São João da Bosta vista existe outra fazenda que
também é RPPN, a Fazenda Paraíso. A diferença é que lá é uma RPPN Estadual e a
Fazenda Alegre é Federal. Poucas pessoas sabem do benefício e importância disso
e precisamos propagar essas informações. O nosso principal objetivo era garantir
a preservação perpétua das áreas verdes da propriedade”, pontua Herivelton.
Com uma área abrangente de mais de 300 hectares, a propriedade abriga
remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado. Desempenha um papel importante de
corredor ecológico por ligar fragmentos naturais da região. Já foram catalogadas
239 espécies diferentes de aves na propriedade. Câmeras instaladas pelo
território já registraram diversos mamíferos entre eles espécies de grande porte
como onça-parda e lobo-guará.
“A diversidade de espécies e esses registros confirmam a alta qualidade
ambiental da área e o sucesso do processo de restauração”, comenta Camila.
Uma das missões da equipe da propriedade é propagar o amor e o conhecimento pela
natureza. Com esse objetivo a fazenda atua ainda junto com uma empresa
particular que promove saídas educativas pela unidade.
“Em parceria com a rede pública de ensino, a fazenda já recebeu mais de 30 mil
crianças e jovens ao longo de 14 anos, promovendo o contato direto com a
natureza, despertando a conscientização ambiental e formando cidadãos mais
sensíveis à questões ecológicas. Esse trabalho amplia o impacto da conservação
para além da área protegida, alcançando toda a comunidade”, finaliza Herivelton.
Serviço
A visitação pode ser feita por agendamento prévio através do WhatsApp: (19) 3633-8497.




