Fazenda histórica em São José do Barreiro pode se tornar hotel de luxo, moradores se opõem

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Fazenda histórica que recebeu Dom Pedro I pode virar hotel de luxo em São José do Barreiro; grupo de moradores é contra projeto

O projeto está em consulta pública até 6 de fevereiro e grupo de moradores é contra proporção e impactos da estrutura; concessão deve ser de 45 anos.

Projeto de concessão quer construir hotel de luxo em São José do Barreiro

A Fazenda Pau D’Alho, em São José do Barreiro, no interior de São Paulo, pode virar um hotel de luxo como parte de um projeto de concessão do governo federal. O plano prevê um empreendimento com 60 quartos e diária estimada em cerca de R$ 1,6 mil.

O conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1968, e o hotel está previsto para ser construído fora da área protegida. Moradores são contra o tamanho do projeto, que prevê cerca de 8,3 mil metros quadrados de área construída, somando prédios históricos e novas estruturas.

O projeto está em consulta pública até 6 de fevereiro (fase em que o governo abre o projeto para comentários da sociedade antes de decidir se e como ele será colocado em licitação). O prazo foi prorrogado pelo Ministério do Turismo no fim de dezembro, antes da abertura da licitação. Segundo a pasta, a concessão deve durar 45 anos.

Construída em 1818 para a produção de café, a fazenda recebeu Dom Pedro I em 17 de agosto de 1822, durante a viagem do então príncipe regente rumo a São Paulo, poucos dias antes da Proclamação da Independência.

MORADORES SÃO CONTRA

Para Junior Meireles, advogado e presidente do Instituto Pau D’Alho, entidade criada para defender o patrimônio histórico, o projeto é incompatível com a realidade do município, que tem 3.853 habitantes, e pode causar impactos à estrutura histórica. Ele afirma ainda que a proposta entra em contradição com a história do local, marcado pelo período da escravidão.

O g1 procurou o Ministério do Turismo e o Iphan para comentar as alegações dos moradores e especialistas, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

De acordo com o plano de negócios, a concessão prevê investimentos de R$ 63,1 milhões ao longo do contrato. Desse total, cerca de R$ 10,9 milhões seriam destinados à restauração das construções históricas.

Segundo o Ministério do Turismo, a diária média prevista é de R$ 1.638,63, com taxa de ocupação estimada em 64%. O plano inclui aluguel de áreas comerciais, cobrança de estacionamento (R$ 28) e gastos médios de R$ 80 com alimentação.

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