Feira de Santana (BA): Venda de tortas vira febre e transforma avenida em ponto de encontro familiar

Feira de Santana (BA): Venda de tortas vira febre e transforma avenida em ponto de encontro familiar

FEIRA DE SANTANA (BA) — Um fenômeno cultural e econômico vem transformando a paisagem da Avenida Fraga Maia, em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. O movimento “Doce Fraga” está revolucionando o consumo de doces e tortas, levando famílias e jovens a se reunirem ao ar livre para experimentar delícias e apoiar pequenos empreendedores locais. Esta iniciativa, criada por confeiteiros e comerciantes locais, cresceu exponencialmente desde sua criação em agosto de 2025, atraindo a atenção de milhares de visitantes aos finais de semana.

A transformação da Avenida Fraga Maia

A Avenida Fraga Maia, anteriormente um mero ponto de passagem, agora se destaca como um vibrante espaço de convivência e gastronomia. O “Doce Fraga”, idealizado por um grupo eclético de empreendedores, consiste em um mercado de doces que inclui tortas, brownies, brigadeiros, cookies, churros, maçãs do amor, saladas de frutas e muito mais. Fernando Barbalho, um dos pioneiros da iniciativa, relata que a inspiração veio após sua visita a um ponto de venda em Aracaju (SE), onde várias opções de iguarias eram oferecidas em um ambiente familiar. “Nosso sonho sempre foi transformar aquele espaço em um lugar para as famílias terem para onde ir em Feira de Santana”, afirma Barbalho.

Para dar vida ao projeto, os comerciantes inicialmente montaram barracas e carrinhos no canteiro central da avenida. Porem, com a intervenção da Prefeitura de Feira de Santana em fevereiro de 2026, os vendedores foram realocados para um espaço adjacente, onde hoje funciona uma praça de alimentação durante os finais de semana.

Impulsionamento econômico e a era das fatias de torta

Atualmente, o movimento conta com 22 expositores, proporcionando uma variedade impressionante de produtos. Barbalho relata que a estética e apresentação dos produtos têm sido cruciais para o sucesso das vendas. Renata Gusmão, proprietária da “Doçuras da Renata”, também se destaca no cenário, oferecendo fatias de torta que se tornaram um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Após ter percebido a demanda por fatias em festivais similares, ela experimentou o mercado e obteve sucesso imediato, vendendo tudo em menos de uma hora em sua primeira participação.

“Atendemos cerca de 50 a 100 pessoas por dia, especialmente nos fins de semana”, destaca Renata. A variedade de sabores, como limão com amora e ninho com morango, atrai um público crescente, contribuindo para o fortalecimento da economia local e a rentabilidade dos pequenos negócios.

Desafios do trabalho ao ar livre

Os comerciantes enfrentam diversos desafios, incluindo a necessidade de manter a qualidade dos produtos. A falta de estrutura adequada, como eletricidade, muitas vezes obriga os empreendedores a encontrar soluções criativas, como o uso de energia solar. A produção de alimentos deve seguir rigorosos padrões de higiene, conforme estipulado pela Vigilância Sanitária e pela Prefeitura. Márcia Ferreira, secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, ressalta que todos os expositores estão devidamente cadastrados e devem seguir orientações para garantir a segurança alimentar no local.

Inovações e sabores virais

Além da popularidade das fatias de torta, outras iguarias têm rapidamente ganhado destaque no espaço. Diana Gonçalves, da “Dimango”, inovou com a introdução de mangas e abacaxis temperados, um conceito que ela trouxe após visitar João Pessoa (PB). Tornando-se um sucesso baseado em impulsos virais nas redes sociais, Diana relata que suas vendas atraem clientes de outras cidades, refletindo a importância do marketing digital para pequenos negócios.

Outro exemplo notável é a “Melac Churros & Confeitaria”, administrada pelo casal Isaac e Nelma Barros, que apostou na nostalgia e no afeto proporcionado pelos churros artesanais. Com a venda ocorrendo diretamente da rua, eles têm alcançado notáveis números de venda, com mais de 100 unidades comercializadas em dias de pico.

A sustentabilidade da Doce Fraga

Embora o “Doce Fraga” tenha revelado novas oportunidades para os empreendedores, a situação também requer um esforço contínuo para manter a qualidade e inovação. Os comerciantes colaboram entre si para garantir um ambiente limpo e agradável, estabelecendo regras e procedimentos internos que visam a saúde e segurança de todos. Existe um consenso sobre a importância de não incluir a venda de bebidas alcoólicas, mantendo o espaço focado na frota de alimentos e tornando-se um ambiente familiar.

De acordo com Márcia Ferreira, não há previsão para a entrada de novos expositores, uma vez que a capacidade do local já foi atingida com o atual número de empreendedores. “A organização e a qualidade dos produtos oferecidos têm sido prioridade para que possamos dar continuidade ao sucesso do ‘Doce Fraga’”, conclui a secretária.

Próximos passos para o futuro do Doce Fraga

Com o potencial de crescimento ainda mais acentuado, o “Doce Fraga” promete continuar sendo um ponto de referência não apenas para Feira de Santana, mas para a Bahia como um todo. Os comerciantes do espaço devem seguir se adaptando às novas demandas do público, mantendo a qualidade e a inovação como principais pilares. A relevância cultural e econômica do evento continuará sendo acompanhada pelo Governo do Estado da Bahia, com a expectativa de que iniciativas como essa possam fomentar outros projetos semelhantes na região.

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