De acordo com a polícia, o crime foi premeditado. As imagens mostram que os gêmeos saíram de carro às 7h21. Exatamente um minuto depois, às 7h22, Ruan, que ainda tinha as chaves da casa, aparece entrando pelo portão do imóvel, localizado no Parque Califórnia. O homem também é visto saindo da residência às 8h15, provavelmente para buscar a corda usada no suicídio. A delegada adjunta da 134ª Delegacia de Polícia, Madeleine Dykeman, afirmou que a ação foi planejada. “Em maio, mais precisamente há duas semanas, ele pegou uma arma, foi até a casa, colocou na cabeça dela e disse que ia matá-la e depois se suicidar. Depois de esfaquear a ex-companheira, ele subiu numa escada e suicidou-se com uma corda no pescoço”, disse a delegada em declaração pública. O crime reforça a escalada de violência doméstica registrada no estado do Rio de Janeiro.
Feminicídio seguido de suicídio choca vizinhos e familiares
A delegada descreveu a cena como brutal. “O que a gente viu foi uma cena brutal. Uma mulher teve a vida arrancada pelo ex-companheiro. Ele desferiu vários golpes de faca. Temos lesões na nuca, nos seios, nas mãos”, detalhou. A violência impressionou os moradores do Parque Califórnia, que relataram ouvir gritos durante a manhã. Os corpos foram encaminhados no início da tarde para o Instituto Médico Legal (IML) de Campos. Os celulares do casal foram apreendidos para análise pericial.
Histórico de violência e ausência de registro policial
Segundo a polícia, Camile era natural de São José dos Campos (SP) e Ruan, de Muriaé (MG). Eles eram casados há cerca de 15 anos, mas o relacionamento era marcado por agressões. “Foi relatado que eles tinham um relacionamento antigo, mas era conturbado, de muitas brigas, agressões, inclusive, em fevereiro, ele deu uma surra nela, que ficou com o olho roxo. Mas nenhuma dessas vezes que ela foi agredida, foi à delegacia fazer o registro. Logo depois ela descobriu uma traição dele, e esse foi o motivo da separação”, afirmou a delegada. A falta de denúncia formal impediu que medidas protetivas fossem aplicadas antes do desfecho trágico.
Como o autor do crime também morreu, não há punibilidade a ser aplicada. O inquérito será encerrado e o caso passará pelo que a polícia chama de extinção de punibilidade. Os filhos do casal, que estavam na escola no momento do crime, estão sob cuidados de parentes. A Polícia Civil investiga se Ruan tinha histórico de outras ameaças e analisa o conteúdo dos aparelhos celulares apreendidos para entender a dinâmica do relacionamento e os dias que antecederam o ataque.



