RIO DE JANEIRO (RJ) — O crime que chocou a cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, chega ao seu desfecho com o sepultamento do casal nesta quarta-feira (3). Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, e Ruan Henrique de Oliveira Souza, de 31 anos, serão enterrados em Barão do Monte Alto (MG), cidade onde viveram por muitos anos. O homem matou a ex-mulher a facadas na manhã de terça-feira (2) e depois cometeu suicídio. Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), mas os velórios ocorrem em horários separados, ambos no cemitério municipal mineiro.

A vítima, Camile, está sendo velada na casa da avó, na Rua Antônio Afonso Ferreira, nº 393, e o sepultamento está previsto para as 12h. Já o corpo de Ruan é velado na sala do cemitério, com enterro marcado para as 10h. O caso, ocorrido na região do Rio de Janeiro, ganhou contornos de tragédia anunciada, conforme apontam as investigações da Polícia Civil.

Crime foi premeditado para evitar a presença dos filhos

O ataque aconteceu dentro da residência de Camile, no bairro Parque Califórnia. Câmeras de segurança flagraram o momento em que Ruan entrou na casa apenas um minuto após os filhos gêmeos do casal, de 12 anos, saírem para a escola. Segundo a delegada responsável pelo caso, o homem possuía as chaves do imóvel e esperou as crianças saírem para agir. “Ele premeditou o crime. A intenção era atacar sem testemunhas”, afirmou a autoridade policial em declaração pública. As imagens mostram que, após o feminicídio, Ruan deixou o local, retornou algum tempo depois e foi encontrado morto nos fundos da casa, com sinais de suicídio.

Histórico de violência e silêncio da vítima

O relacionamento do casal, que durou cerca de 15 anos, era marcado por desentendimentos frequentes. De acordo com a polícia, Camile já havia sofrido agressões anteriormente, mas nunca registrou queixa formal. A separação recente teria sido motivada por uma traição descoberta pela vítima. Dias antes do crime, testemunhas relataram que Ruan apontou uma arma para a cabeça da ex-mulher, o que foi confirmado pela investigação. Com a morte do autor, o inquérito será arquivado por extinção de punibilidade, mas os celulares do casal foram apreendidos e passam por perícia para esclarecer a dinâmica dos fatos.

Crianças estão sob proteção de familiares

Os filhos do casal estavam na escola no momento do homicídio e não presenciaram a tragédia. Eles permanecem sob os cuidados de parentes próximos, que recebem apoio psicossocial. A Polícia Civil informou que as crianças estão em ambiente seguro e não correm riscos. A comunidade local, abalada pelo ocorrido, acompanha o desdobramento com perplexidade. A delegada reforçou que a violência doméstica precisa ser denunciada para evitar desfechos como este.