Feminismo periférico: Mulheres do GMB mudam o destino das vítimas de violência

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Na periferia da Amazônia, histórias de mulheres marcadas pela violência se cruzam em uma rede de apoio criada por uma sobrevivente. Aos 73 anos, Dona Domingas Martins lidera, no bairro Benguí, em Belém, um movimento que há quase 40 anos reúne moradoras da comunidade para enfrentar a violência doméstica e construir caminhos de autonomia e dignidade, rompendo ciclos de abuso que muitas vezes atravessam gerações.

Esse movimento tem nome: Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB). Criado no Benguí nos anos 1980, o coletivo reúne mulheres da periferia para discutir direitos, enfrentar a violência de gênero e desenvolver iniciativas de formação política e geração de renda.

Como Nasceu o Grupo

A jornada começou na década de 1980, quando Domingas, fugindo de um casamento abusivo, foi morar no Benguí. Lá conheceu outras mulheres e começou a organizar pequenos encontros e eventos na vizinhança, inicialmente durante o período de Natal. Com a proximidade, elas perceberam que poderiam atuar juntas para enfrentar problemas que se repetiam na comunidade.

Para contornar a resistência, o grupo encontrou estratégias. “Começamos a promover cursos profissionalizantes. Nessas oportunidades, fazíamos também as rodas de debate”, conta Domingas. Em 1986, o grupo se formalizou. “A partir daí começamos a fazer pesquisas para entender as mulheres do Benguí. Conhecemos histórias de assédio em casa, no trabalho. Descobrimos que muitas sofriam de depressão”, diz.

O que faz o GMB

Há quase quatro décadas, o movimento ultrapassou os limites do bairro. Hoje o GMB participa do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense e também integra articulações nacionais pelos direitos das mulheres, como o Fórum de Mulheres do Brasil e a Frente Feminista. “Tudo isso para que essa luta das mulheres não seja fragmentada”, afirma Domingas. “As mulheres precisam ocupar espaços de poder, espaços de liderança. Só assim iremos avançar.”

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