São Paulo (SP) — Após sete anos de portas fechadas, a centenária Igreja Matriz de São Bartolomeu, em Ouro Preto (MG), reabriu para uma missa histórica que emocionou centenas de fiéis. A reforma de R$ 7,6 milhões revelou pinturas barrocas escondidas e uma estrutura que corria risco de desabamento.

A notícia da reabertura emocionou até mesmo moradores de São Paulo, que viajaram especialmente para a celebração. “A tonalidade de tudo está brilhando, está tudo reluzindo, a coisa mais linda”, exclamou a artesã Lidiane Aparecida de Carvalho, encantada com o resultado.

Pinturas centenárias e estrutura comprometida

Construída na primeira metade do século 18, a matriz é uma das mais antigas de Minas Gerais e tombada pelo Iphan desde os anos 1960. Durante as obras, os restauradores fizeram uma descoberta surpreendente: antigas pinturas estavam ocultas nos altares e no forro, cobertas por reboco e sujeira.

Mas o maior susto veio na estrutura. “Quando começamos a tirar o reboco das paredes, encontramos 70% dos contraventamentos completamente comprometidos. Tivemos que substituir todas essas peças, que mantêm a igreja em pé”, explicou José Theobaldo Júnior, diretor-presidente da entidade responsável pela execução das obras, em entrevista à imprensa.

Fé renovada e comunidade em festa

A primeira missa após a longa espera lotou o templo. O padre Harley Carlos de Carvalho celebrou a reabertura com emoção. “Olhando para a beleza da igreja, a gente certamente contempla beleza divina. A comunidade se firma na esperança de continuar a caminhada e reafirma sua história”, declarou à imprensa.

A reforma foi viabilizada com recursos do Ministério Público de Minas Gerais, provenientes principalmente de multas por desrespeito ao patrimônio histórico. Agora, com as pinturas restauradas e a estrutura segura, a Matriz de São Bartolomeu volta a ser palco de celebrações que unem fé e arte barroca.