De latrocínio a homicídio: filha é presa e indiciada por assassinato do pai a tiros em Campinas
A investigação concluiu que a morte do empresário no distrito de Sousas, em 2020, foi arquitetada pela jovem junto com o namorado, já que o empresário não aceitava o namoro; suspeitos foram presos em dezembro, e a Polícia Civil confirmou o caso nesta quarta (25). Advogado da jovem nega confissão.
Filha e o namorado com quem ela se relacionava na época confessaram a participação no crime. Conforme a apuração da polícia, a motivação do crime foi passional.
Cinco anos após o empresário Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos, ser morto a tiros em um suposto latrocínio no distrito de Sousas, em 2020, a Polícia Civil DE Campinas concluiu que o crime foi, na verdade, um homicídio premeditado que contou com a participação da filha da vítima.
Inconsistências no inquérito, como múltiplos disparos, levaram a polícia a revisar o caso, e foi apurado que a motivação do crime teria sido passional: Ricardo não aceitava o relacionamento da filha, Giovana Erbolato Lopes, com o namorado, Ernandes dos Santos Lopes.
O advogado que representa Giovana nega que ela tenha confessado ou participado do crime. O DE não conseguiu localizar a defesa de Ernandes até esta publicação.
Com isso, a filha teria levado o pai até o local onde o crime ocorreu sob o pretexto de visitar uma casa em construção. À época, a jovem relatou que os criminosos teriam levado R$ 300 e uma carteira.
Segundo a Polícia Civil, tanto a filha quanto o namorado com quem ela se relacionava na época confessaram a participação no crime – o advogado de Giovana nega a confissão.
Inicialmente, a Vara do Júri decretou a prisão temporária da dupla, que posteriormente foi convertida em preventiva. Giovana e Ernandes foram indiciados por homicídio qualificado e, segundo a polícia, permanecem presos.
O advogado Jose Pedro Said Junior, que representa Giovana, defendeu que a cliente não cometeu o crime contra o pai e tratou o caso como uma “injustiça”.
“Injustiça eu digo porque está mais do que demonstrado que o ex-namorado, com várias e várias mensagens no telefone celular, do qual dizia a ela a todo instante que se ela não voltasse com ele, ele iria destruir a vida dela, como fez. Mas jamais essa moça participou de forma alguma da morte do pai. Essa moça está sendo injustiçada, está sendo de uma maneira absurda, penalizada e revivendo todo um sofrimento, não só dela, mas de toda a família que acredita e tem a certeza absoluta que ela é inocente”, destacou Said.
O DE não conseguiu localizar a defesa de Ernandes.
O crime ocorreu em 25 de janeiro de 2020. De acordo com a Polícia Militar, Ricardo, que tinha 56 anos, estava dentro de um carro que estava sendo conduzido pela filha quando foi atingido por pelo menos nove disparos. A vítima morreu na hora e a filha chegou a pedir ajuda na portaria do condomínio. O caso foi registrado como latrocínio, já que a filha alegou ter sido vítima de assalto e disse que o criminoso roubou R$ 300.
Ao revisar o inquérito, investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) constataram inconsistências, como o número de disparos e o uso de mais de uma arma, o que não é comum em casos de latrocínio. As apurações se concentraram no companheiro da filha da vítima à época. Segundo a polícia, ele havia sido ouvido logo após o crime, mas nunca mais compareceu à delegacia. O suspeito teria confessado a autoria do crime e deu “detalhes que somente poderia saber se estivesse na cena do crime, tais como quantidade de disparos efetuados e calibre das armas”. Além disso, ele afirmou que a filha da vítima também havia participado do crime.
Com as confissões, os policiais conseguiram encontrar registros da circulação do carro da filha na região horas antes do crime.




