Conheça Filho do Piseiro, cantor que viralizou fazendo a ‘boca do médio grave’
“Buhhh, buhhh, e vai queimar as caixas, é?”. O bordão, que simula a potência de um sistema de som automotivo, tornou-se a marca registrada de Everton da Silva de Souza, o Filho do Piseiro.
Aos 23 anos, o amazonense que cresceu na comunidade do Caldeirão, em Iranduba, conseguiu realizar um feito nada simples: sem uma grande produtora por trás, alcançou o topo das plataformas. Com duas músicas. E em ambas, fazendo a famosa “boca do médio grave”.
BUH, BUH… DUH, DUH
A técnica é simples. Não depende de equipamentos de distorção, mas de encontrar uma frequência específica no tórax. Mas melhor do que tentar explicar, é deixar quem sabe, ensinar:
“É igual naquele filme Procurando Nemo, quando a Dory fala ‘baleês’. Você tem que procurar esse ‘baleês’ dentro de você. Uuuhh, uuuuh…Quando achar, coloca a letra B e solta o ar”, explica, antes de soltar um Buh Buh com a boca.
Mas antes de aprender a fazer o Buh, virar o Filho do Piseiro, comandar uma equipe de 10 pessoas e viajar em ônibus adesivado com o próprio rosto, a realidade de Everton Silva era o “voz e violão” na calçada de um açougue em Manaus.
ANIVERSÁRIOS, RESENHAS E… GOLPES
Entre 2019 e 2020, ele cantava na frente do comércio do tio com o objetivo de atrair clientes e ser notado para cantar em festas de aniversário, confraternizações e resenhas.
“Lá em Manaus o pessoal costuma se reunir para fazer churrasco de fogo de chão. Meu primeiro show foi assim, em uma costelada”, relembra.
A “gestão da carreira” era feita pelo próprio artista, sem contratos formais. “Levei muito golpe. Eu não sabia cobrar, não entendia nada de contrato. Tudo o que eu queria era cantar e animar a galera”.
O início da carreira do artista foi financiado por um presente de R$ 1 mil dado pelo tio. Com o dinheiro, ele adquiriu o básico para as apresentações: violão, microfone, pedestal e uma caixa de som.
Na época, o Filho ainda não era do Piseiro, mas sim do sertanejo, moldado por referências como Eduardo Costa, Bruno & Marrone e Gusttavo Lima.
A mudança só veio depois, quando Everton passou a unir o forró de vaquejada ao teclado eletrônico e à técnica de imitação da caixa de bateria de um paredão, também conhecida como “caixa cachorra”.
O VÍDEO QUE MUDOU TUDO
O reconhecimento veio no segundo semestre de 2025. Após participar de um show de Claudio Ney & Juliana, o vídeo de Everton cantando “Meu Pai Paga a Minha Faculdade” viralizou em redes sociais (a faixa foi regravada com a dupla posteriormente e bateu 7,5 milhões de reproduções no Spotify).
Após a projeção na internet, a carreira deslanchou: em poucos meses, o artista trocou o Amazonas pelo Ceará para facilitar a logística de shows.
No mesmo período, conheceu desde influenciadores como Toguro a empresários como João Adibe, da Cimed, além de ter sido convidado para programas como The Noite, Domingo Legal e o podcast Podpah.
Hoje, o Filho do Piseiro opera como uma “empresa independente”, sem gravadora, mas com cachês que batem a casa dos R$ 80 mil, como o que embolsou na apresentação que fez em 15 de fevereiro, domingo de Carnaval, em Itapipoca, no Ceará.
UM ARTISTA COMPLETO
Nas redes sociais, soma mais de 3 milhões de seguidores (Instagram e Tiktok). Com referências que vão de Toca do Vale a Júnior Vianna, ele agora encara uma logística de um verdadeiro popstar.
Apesar do sucesso, o artista afirma que tudo que ganha atualmente está sendo reinvestido na estrutura da sua carreira.
A sigla “FDP”, que significa Filho do Piseiro, é utilizada pela equipe do cantor em materiais de divulgação e capas de repertórios como um recurso de humor, acompanhada de slogans como “O Rei do Médio Grave” e “Só Poesias no Médio Grave”.
POETA DO MÉDIO GRAVE
O período de São João é um dos principais momentos do ano para o mercado musical do Nordeste, com alta demanda por shows. O Filho do Piseiro já tem 26 shows fechados, e quer ainda mais.
Embora tenha se projetado no Norte e consolidado a carreira no Nordeste, o maior volume de público do Filho do Piseiro concentra-se atualmente no Sudeste.
PRIMEIRO DVD, E EM CASA
Em maio, no dia de seu aniversário de 24 anos, o Filho do Piseiro retorna a Manaus para a gravação de seu primeiro DVD.
Além de regravar sucessos anteriores com novos arranjos de piseiro, o artista planeja o lançamento de músicas inéditas.



