Filmes de Glauber Rocha passam por inovador processo de restauração

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Ao longo de 24 anos de atividade, Glauber Rocha ajudou a construir alguns dos pilares do cinema brasileiro. Jornalista, intelectual, escritor, crítico e diretor de clássicos como Deus e o Diabo na Terra do Sol, o cineasta baiano completaria 87 anos neste sábado (14/3).

Mesmo após mais de duas décadas de sua morte, a obra de Glauber continua a instigar gerações de espectadores e estudiosos. Seus filmes continuam sendo referência para o audiovisual brasileiro e parte essencial da história do Cinema Novo.

Agora, em 2026, quatro títulos dirigidos pelo cineasta passam por um processo inédito de restauração, que combina técnicas analógicas e tecnologia digital de ponta para preservar esse legado. A iniciativa reúne instituições públicas e privadas no Brasil e no exterior e é liderada por Paloma Rocha, filha do diretor, que há mais de 20 anos se dedica à preservação da memória do pai.

Filmes de Glauber Rocha passam por restauro que une analógico e digital

Quando o processo for concluído, 10 filmes de Glauber Rocha terão sido resgatados e preservados para a posteridade. Atualmente, quatro obras passam por restauração conduzida por uma equipe especializada de cineastas e técnicos. São elas:

  • Amazonas, Amazonas (1966) – curta-documentário publicitário produzido para incentivar o turismo no estado do Amazonas. Encomendado pela Ditadura Militar, o filme ajuda a entender as nuances da relação do cineasta com o governo da época.
  • Di Cavalcanti Di Glauber (1977) – curta-documentário, feito em homenagem ao pintor Di Cavalcanti (1897-1976). Por imbróglios judiciais, o filme nunca foi exibido no Brasil.
  • História do Brasil (1974) – documentário e um dos filmes mais extensos da filmografia do diretor. Foi produzido durante o exílio de Glauber Rocha em Cuba de 1971 a 1973.
  • Terra em Transe (1967) – longa-metragem e um dos trabalhos mais celebrados do cineasta. É considerado o filme mais íntimo e pessoal do diretor.

Os três primeiros filmes estão sendo restaurados no Brasil, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto é conduzido pela produtora Box Cultural, em parceria com a Cinemateca Brasileira e laboratórios privados de restauração.

Já Terra em Transe passa por restauração no exterior, por meio do World Cinema Project, iniciativa ligada à The Film Foundation, organização fundada pelo diretor Martin Scorsese.

Segundo Sara Rocha, diretora da Box Cultural e neta de Glauber Rocha, o objetivo é trazer o que há de melhor em termos técnicos e tecnológicos para o processo de preservação e restauro da filmografia do cineasta baiano.

Esta não é a primeira iniciativa voltada à preservação do legado de Glauber Rocha. Desde 1980, a obra do cineasta vem sendo alvo de projetos de conservação e restauro, viabilizados pelos vastos acervos mantidos pela família, pela Cinemateca Brasileira e pelo Arquivo Nacional.

Em 2022, Deus e o Diabo na Terra do Sol voltou ao Festival de Cannes após ter sua cópia restaurada em 4K e exibida na 75ª edição do festival. O trabalho foi resultado de uma parceria entre Paloma Rocha e o cineasta Lino Meireles, que celebra mais uma restauração da obra de Glauber Rocha.

UNIÃO DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Para restaurar os filmes no Brasil, a equipe utiliza um método que combina técnicas analógicas com tecnologias digitais de ponta. É a primeira vez que um projeto com esse nível de complexidade técnica é realizado no país.

O restauro, ainda em fase inicial, é conduzido por um grupo seleto de cineastas e especialistas que já colaboraram com Paloma Rocha e com a Cinemateca Brasileira em projetos anteriores. A previsão da equipe de restauração é que os primeiros resultados estejam prontos até o fim do primeiro semestre de 2026.

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