Jogar só a Champions: Firmino e Paulo Victor vivem nova tendência no Mundo Árabe
Al Rayyan x Al-Ahli, nas oitavas da Liga dos Campeões da Ásia, colocará frente a frente goleiro ex-Flamengo e atacante ex-Liverpool, que optaram por não atuar em ligas nacionais; entenda
Paulo Victor explica nova experiência de jogar apenas Champions no Al Rayyan
Al Rayyan, do Catar, e Al-Ahli, da Arábia Saudita, se enfrentam na próxima terça-feira, no primeiro jogo das oitavas de final da Liga dos Campeões da Ásia. O confronto será um momento-chave na temporada de dois brasileiros: o goleiro Paulo Victor e o atacante Roberto Firmino, que atuam somente em jogos da Champions Asiática.
Em situações diferentes, os dois jogadores não foram inscritos em suas ligas nacionais por conta das restrições de vagas para estrangeiros, mas optaram por jogar apenas no torneio continental. O de te explica agora os casos de PV e Firmino e o porquê disso ser uma nova tendência no Mundo Árabe.
Paulo Victor, no Al Rayyan, e Roberto Firmino, no Al-Ahli, vivem nova tendência no Mundo Árabe: jogar apenas a Champions Asiática — Foto: Reprodução/Getty Images
Aos 33 anos, Roberto Firmino disputa sua segunda temporada pelo Al-Ahli e participava normalmente do campeonato nacional até janeiro, quando o clube contratou o também brasileiro Galeno, ex-Porto, e excedeu o limite de atletas estrangeiros. Desde então, o atacante ex-Liverpool foi cortado da lista de inscritos no Campeonato Saudita.
Firmino foi procurado por clubes do Brasil e do exterior. No entanto, optou, até aqui, por seguir no clube de Jidá, onde disputou apenas duas partidas (ambas da Champions) no mês de fevereiro.
O caso de Paulo Victor, ex-Flamengo e Grêmio, é diferente. Em entrevista ao de, o goleiro explica que assinou com o Al Rayyan já sabendo que jogaria apenas na Liga dos Campeões da Ásia, tendo inclusive estranhado a ideia no momento do convite.
— Primeiro foi bem estranho. Quando recebi a ligação de proposta do Catar eu achei que fosse trote. Porque aqui não joga goleiro estrangeiro na Liga. Não é liberado. Mas tive a oportunidade de vir só para jogar a Champions League. É claro que o jogador quer estar sempre atuando. Mas por ser uma oportunidade no Catar, e pelo time que é o Al Rayyan, eu aceitei de primeira. Vi que seria uma experiência enorme para a minha vida e para a minha carreira. E já conseguimos o nosso primeiro objetivo, que era essa classificação para as oitavas de final — afirma o goleiro.
A liberação de 10 estrangeiros na Liga dos Campeões da Ásia é uma novidade na atual temporada. Até 2023/24, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) permitia que cada equipe utilizasse apenas cinco jogadores nascidos em outros países por partida. Após o grande investimento no futebol saudita, que já tinha um número muito superior de estrangeiros, o torneio continental passou a ser mais permissivo.
Enquanto as ligas nacionais asiáticas ajustam o número de vagas para estrangeiros, as equipes usam como alternativa a escalação restrita de determinados atletas na Champions, casos atuais de PV e Firmino. O goleiro ex-Flamengo e Grêmio explica as dificuldades da nova experiência.
Não é fácil você jogar um jogo, esperar um mês e jogar outro. Você tem que se cuidar muito num alto nível. A equipe que vem jogando sempre tem um entrosamento melhor. Ainda mais com essa diferença de três jogadores (estrangeiros a mais na Champions). É mais de 20% de uma equipe. É uma dificuldade, faz diferença. — Paulo Victor, goleiro do Al Rayyan.
Aos 38 anos, Paulo Victor já disputou oito partidas na atual temporada, todas pela Liga dos Campeões da Ásia. Ele se considera sortudo por trabalhar com um treinador de goleiros que é brasileiro. Neneca, de 57 anos, é um ex-goleiro, também com passagem pelo Flamengo, que atua como preparador no Mundo Árabe há cerca de vinte anos. Ao de, o membro da comissão técnica do Al Rayyan explica como funciona a preparação de PV, tendo em vista a escassez de jogos na temporada.
— A gente tem que criar muitas situações de jogo para ele. Sempre incluímos o Paulo Victor em todos os trabalhos do grupo que vai jogar no campeonato. Treino tático, bola parada, está incluído em tudo. Conseguimos marcar jogos amistosos, tanto do primeiro time, quanto da base. E muitas vezes usamos jogadores da base para criar situações de jogo para ele. Tecnicamente, fisicamente e psicologicamente ele é muito bem preparado. Estamos conseguindo levar bem e ele tem feito bons jogos — afirmou Neneca, treinador de goleiros do Al Rayyan.