Se a atuação rubro-negra na noite desta quarta-feira ainda não se aproximou do
nível idealizado, ao menos serviu para dar esperança que há um caminho de
melhora sendo traçado. O Flamengo teve o controle das ações em boa parte da
vitória por 2×0 sobre o Cruzeiro. Poderia ter construído vantagem confortável
mais cedo, foi pressionado no fim, mas ampliou o placar antes do apito
derradeiro.
A Raposa só incomodou de fato a defesa carioca em dois momentos. Entre os 15 e
os 30 minutos do 1º tempo. E na reta final do duelo, quando Tite pôs, enfim,
atacantes mais agudos pelos lados. Quando atacava em busca do empate, veio o
golpe fatal dos donos da casa. Carrascal, que havia entrado mal na partida, deu
números finais ao placar que começou a ser construído por Pedro.
Escalações
Leonardo Jardim fez três mexidas em relação ao time que iniciou a final do
Carioca. Varela, Carrascal e Samuel Lino foram para o banco. Emerson Royal,
Lucas Paquetá e Everton Cebolinha receberam chance como titulares. Já Tite não
pôde contar com William, Lucas Romero e Kaio Jorge. Fágner, Matheus Henrique e o
colombiano Neyser Villareal iniciaram o duelo.
O jogo
O Flamengo reviveu os seus melhores momentos da última temporada nos primeiros
dez minutos no Maracanã. Velocidade e entrosamento nas ações ofensivas, troca de
passes efetiva e qualificada. Marcação adiantada. Intensa e organizada. O
Cruzeiro não teve a postura ideal para neutralizar o início fulminante dos donos
da casa. A energia demorou a ser igualada e o time sofreu com isso.
Primeiro com a cabeçada de Léo Ortiz no travessão, e depois com o gol de Pedro.
Fruto da grande jogada individual do atacante, aproveitando o erro de passe de
Neyser Villareal. Méritos da pressão pós-perda eficaz feita pelos donos da casa.
Mas também chamou a atenção a passividade de Fágner, Fabricio Bruno e Villalba
no lance. O camisa 9 fez o que quis dentro da área mineira.
O próprio Pedro foi o responsável por produzir outra chance real de gol logo
depois. Roubou a bola de Villalba na saída cruzeirense, mas Fabrício Bruno
salvou em cima da linha a finalização de Arrascaeta, que já havia driblado
Cássio. O bombardeio rubro-negro contou ainda com um belo passe por elevação de
Lucas Paquetá para Arrascaeta finalizar com perigo de dentro da área, algo que
se repetiria depois.
O ímpeto do Mais Querido começou a ser quebrado com bons passes encaixados por
zagueiros e volantes do Cruzeiro para as costas do meio-campo anfitrião. A
Raposa acumulava peças no setor. Christian e Gérson flutuavam dos lados para o
meio, se aproximavam de Matheus Pereira e Neyser Villareal, que quase se redimiu
do erro do gol ao bater com perigo da entrada da área. Rossi pegou!
Subtítulo 1
Outra arma cruzeirense foi a bola parada aérea endereçada a Fabricio Bruno. Ele
conseguiu desviar três cobranças de escanteio de Matheus Pereira. Nenhuma delas,
porém, com real perigo. O Flamengo diminuiu a frequência das subidas de
marcação, e lidou melhor com as lacunas deixadas às costas do seu meio-campo.
Conseguiu reduzir a quantidade de ataques finalizados pelo Cruzeiro.
Mesmo com menos posse de bola até o final da 1ª etapa, não deixou de tentar
construir ao retomar a pelota. E explorou espaços deixados naturalmente pelos
visitantes. Léo Pereira, Everton Cebolinha e Lucas Paquetá não conseguiram
finalizar em cheio ao arrematarem ataques bem produzidos pela equipe.
Na volta para o 2º tempo, Cássio impediu que o Flamengo ampliasse o placar em
duas ótimas ocasiões antes dos dez minutos. Arrascaeta e Pulgar quase marcaram
em potentes chutes. Além de não repetir a capacidade de envolver a defesa
rubro-negra, apresentada em um curto periodo da 1ª etapa, o Cruzeiro cedia
espaços perigosos a peças como Arrascaeta e Paquetá.
Subtítulo 2
Tite perdeu Cássio lesionado logo depois dos 15 minutos. Matheus Cunha o
substituiu. Chico da Costa foi mais um a entrar nesse momento. Neyser Villareal
foi sacado. O primeiro a entrar no Flamengo foi Samuel Lino. Everton Cebolinha
saiu. Na sequência foi a vez de Varela e Carrascal substituírem Emerson Royal e
Paquetá, que foi um dos melhores em campo.
O Flamengo mantinha-se seguro defensivamente no 2º tempo, mas desperdiçava
alguns bons ataques por erros técnicos ao se aproximar da área. Isso deixou o
Cruzeiro vivo na partida. Percebendo os ataques inócuos da sua equipe, Tite
demorou, mas sacou o apagado Gérson, que foi chamado de ”mercenário” pela
torcida local. Wanderson entrou para dar mais velocidade pela esquerda.
Pouco depois foi a vez de Fágner e Lucas Silva saírem. Christian foi recuado
para a lateral-direita e Arroyo entrou na ponta. Japa foi utilizado no
meio-campo. Luiz Araújo e Wallace Yan foram chamados por Leonardo Jardim perto
dos acréscimos. Pedro e Arrascaeta deixaram o gramado. O pacote de mexidas gerou
efeito positivo ao Cruzeiro, que ganhou agressividade e passou a ameaçar de
fato.
Subtítulo 3
Japa, Kaiki e Chico da Costa somaram finalizações perigosas de dentro da área. O
Flamengo sofria com a inoperância dos atletas que saíram do banco até encontrar
a redenção com dois deles. Samuel Lino desarmou Japa no campo de ataque e deixou
Carrascal na cara do gol. O colombiano marcou com uma linda cavadinha por cima
de Matheus Cunha e a torcida pôde comemorar a vitória.




