Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência pelo PL-RJ, enfrenta um desafio significativo nas eleições de 2024: estancar a queda nas pesquisas. Na tentativa de ampliar sua base de apoio, ele se propõe a adotar uma nova estratégia de campanha, mirando especificamente eleitores fora da chamada “bolha bolsonarista”. A urgência dessa abordagem se intensificou após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que colocou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente não apenas nas intenções de voto gerais, mas também entre grupos fundamentais como mulheres, jovens e idosos.
De acordo com a referida pesquisa, 36% dos entrevistados ainda estão abertos a mudar de candidato até outubro, um fator que alimenta a expectativa de que Flávio consiga crescer fora do seu núcleo mais fiel. No entanto, os dados revelam que Lula já lidera entre as mulheres com 41% das intenções de voto, em comparação com apenas 24% de Flávio, evidenciando um grande desafio para a pré-candidatura dele neste segmento.
A partir deste cenário, aliados de Flávio ressaltam que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro já teria ocorrido em grande parte e que o foco agora deve ser a conquista de votantes independentes. Recentemente, o caso “Dark Horse” e as discretas reações de Michelle Bolsonaro no apoio à campanha aumentaram a pressão sobre Flávio para atrair novos apoiadores.
Quais grupos eleitores são prioridades para Flávio?
Flávio Bolsonaro intensificou sua comunicação com o eleitorado feminino e já expressou o desejo de ter uma mulher como vice na chapa. Recentemente, em um evento em São Paulo, afirmou ser a favor de “mais mulheres no governo e mais mulheres no Supremo Tribunal Federal”. O engajamento com esse público é crucial, visto que as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro e ele precisa recuperar terreno perdido.
Além disso, Flávio também tem procurado dialogar com jovens, um segmento onde, segundo a pesquisa, a disputa é acirrada. Com 30% das intenções de voto, Flávio aparece atrás de Lula que tem 36%. A movimentação para alcançar esse grupo se dá principalmente através das redes sociais, onde ele tem investido em conteúdo digital, como vídeos, que podem atrair a atenção dos eleitores mais novos.
Entretanto, a situação se complica para Flávio entre os idosos, que também são um grupo prioritário. Lula detém 41% das intenções nesse segmento, enquanto Flávio tem apenas 29%. Com cerca de 21% do eleitorado total, tratar das pautas ligadas à Previdência requer cuidado, pois pode gerar resistência.
Como Flávio pretende reduzir a desvantagem?
Nos bastidores, assistentes de Flávio discutem como ampliar sua candidatura além da base tradicional do bolsonarismo. O foco é encontrar soluções que possam agradar tanto o eleitor fiel quanto aqueles que tendem a ser mais moderados. Uma vez que a próxima fase da campanha está se aproximando, a necessidade de equilibrar mensagens se torna um assunto central dentro da estratégia política.
Um aspecto que pode facilitar essa transição é a disposição de Flávio em abordar questões como segurança pública, algo que tem se refletido nas suas recentes falas em eventos. No entanto, seu discurso sobre a redução da maioridade penal e a defesa de sanções para crimes sexuais também gera divisões, particularmente entre os eleitores mais conservadores.
Além disso, a falta de engajamento público de Michelle Bolsonaro, um dos principais trunfos do ex-presidente, na campanha do filho cria um vácuo que pode impactar nas contas eleitorais. Flávio conta com a simpatia de figuras públicas, mas ainda enfrenta a resistência de eleitoras indecisas que precisam ser conquistadas.
Qual é o cenário atual para a candidatura de Flávio?
Ainda que as pesquisas mostrem uma liderança de Lula, aliados de Flávio permanecem otimistas quanto à movimentação dos dados, afirmando que a disputa está longe de ser definida. A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) comentou que diferentes levantamentos têm indicado resultados variados ao longo do ano. “Quando a campanha avançar, temas como custo de vida, segurança e educação estarão em pauta”, destacou.
A esperança de reverter a situação entre eleitores não fiéis ao bolsonarismo garante à pré-candidatura uma dose de dinamismo. Ao longo do processo eleitoral, as recentes falas de Flávio e seus avanços para dialogar com diferentes setores da sociedade devem ser acompanhadas de perto. Cada passo pode refletir em mudanças que impactem drasticamente seu número de votos.
Conforme a luta política avança, as ações e reações acontecerão em um cenário repleto de fatos relevantes que determinarão o futuro virtual do senador. Com a contagem regressiva para as eleições, cada estratégia deve ser analisada com cautela, levando em conta tanto as preferências do eleitorado quanto aquilo que lhe é oferecido.



