Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República, fará uma visita a Florianópolis no próximo dia 9 de setembro para um evento de lançamento da pré-candidatura de seu irmão Carlos Bolsonaro ao Senado. A movimentação acontece em um momento crítico, onde a direita catarinense enfrenta divisões internas. O Partido Liberal (PL) tentará solidificar sua candidatura no Estado, enquanto outras figuras como a deputada federal Caroline de Toni também visam uma vaga no Senado, e o governador Jorginho Mello encara seu processo de reeleição. A situação é tensa, com a crise se estendendo além de Santa Catarina e envolvendo figuras proeminentes do bolsonarismo.
A crise na direita se agravou recentemente quando o ex-vereador Carlos Bolsonaro, de acordo com fontes ligadas a ele, acabou tendo um desentendimento com a deputada Campagnolo, episódios que culminaram em desavenças públicas nas redes sociais. Os ânimos acirrados nas redes sociais, especialmente após uma postagem mal recebida de Campagnolo, que excluiu Carlos de uma foto, indicam um racha preocupante na base de apoio à candidatura do irmão de Flávio. Apesar das tentativas de reconciliação, muitos observadores políticos estão atentos para ver como a atual divisão poderá impactar as eleições.
Recentemente, o senador Flávio tem buscado contornar esses conflitos. Ele fez um apelo, durante uma reunião virtual, para que a militância do PL mantenha o foco. “Por mais que dê a vontade às vezes de atacar, provocar, esfregar a verdade na cara, eu penso que tem que dar uma esfriada antes. O foco deve estar na campanha e na luta contra a esquerda”, enfatizou Flávio, indicando que a coesão entre as várias alas é essencial para a estratégia política do grupo. A chamada para unidade será um dos pontos centrais de sua discurso em Florianópolis, onde pretende convidar todos os aliados a se unirem em apoio ao seu irmão.
Como Carlos Bolsonaro se posiciona nas pesquisas?
As últimas pesquisas feitas, como a da Atlas/Intel, revelam um cenário desafiador para Carlos Bolsonaro. Em uma competição acirrada, a deputada Caroline de Toni lidera com 30,7% das intenções de voto, seguida por Esperidião Amin com 20,1% e Carlos, que aparece com apenas 18,3%. As pesquisas indicam que o ex-vereador pode estar à beira de uma derrota eleitoral caso não consiga reforçar sua imagem entre os eleitores e unir seu grupo atrás de sua pré-candidatura ao Senado.
Essa realidade se torna ainda mais alarmante considerando que, caso a candidatura de Carlos não prospere, ele se juntaria a outros membros da família Bolsonaro fora da política, cenário que se tornaria ainda mais evidente a partir de 2023, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado inelegível após sua condenação por tentativas de golpe contra a democracia. O fato de Eduardo Bolsonaro já ter abandonado seu mandato e se autoexilado nos Estados Unidos em 2025 apenas agrava a situação do clã.
De acordo com os dados eleitorais, a corrida ao Senado em Santa Catarina possui um forte impacto nas eleições gerais e no futuro do PL no estado. Este evento em Florianópolis, além de ser uma plataforma de lançamento para a candidatura de Carlos, também configura uma batalha simbólica para a family Bolsonaro, testando sua capacidade de unir forças e demonstrar relevância política em um contexto onde sua popularidade vem enfrentando desafios significativos.
Qual o impacto social e político da candidatura de Carlos?
As recentes movimentações de Flávio e Carlos refletem uma tentativa de galvanizar a ala conservadora da sociedade que ainda respalda o legado de Jair Bolsonaro, que atualmente é visto como polarizador. Os laços familiares e a trajetória política são aspectos críticos que Carlos deve usar para atrair o eleitorado. Evento que contará com a participação de figuras como Jorginho Mello, que visa reeleição, e a própria Caroline de Toni, será um teste de força para a ala bolsonarista no estado.
Adicionalmente, a comparação com outros ex-presidentes mostra que esse tipo de situação não é inédito no cenário político do Brasil, onde figuras como o ex-presidente Lula enfrentaram adversidades e divisões, mas conseguiram se reerguer através da mobilização política e apoio popular. O campo fraqueza que Carlos tem mostrado nas pesquisas pode ser um indicador de que será necessário algo mais substancial para reverter a situação e garantir a eleição.
Com toda essa movimentação, o futuro político de Carlos e, em consequência, do próprio Flávio, depende da habilidade em comunicar e unir suas bases no estado. A divisão interna entre os apoiadores, se não for tratada a tempo, poderá levar a um sangramento significativo de eleitores e, por fim, comprometer as chances eleitorais da família.
Como está o clima para o evento de lançamento?
O evento em Florianópolis que visa confirmar a candidatura de Carlos está cercado de expectativas, e a presença de Flávio Bolsonaro é um indicador da sua importância nessa mobilização. Medições do apoio popular que o clã Bolsonaro ainda mantém são de vital importância, visto que demonstrar unidade e coesão será central para seus objetivos políticos neste ciclo eleitoral. O recente pedido de Carlos para “unir a direita” provavelmente será uma das mensagens centrais durante o evento.
Analistas políticos, por outro lado, estão cautelosos. Muitos avaliam que o sucesso desse encontro depende não apenas de um discurso bem elaborado, mas do efetivo alinhamento entre as diversas lideranças do PL em SC. Além de um convite formal aos aliados de Flávio, analistas solicitam que se avalie as possíveis repercussões das divisões atuais. Para a unidade da direita, é essencial superar as disputas e as tensões que se formaram nos últimos meses.
Os próximos passos de Carlos e de sua família na política estão estreitamente ligados à mobilização e ao apoio popular. Será interessante observar como essas tensões internas influenciam o evento e se ele pode realmente criar o efeito desejado de união entre os bolsonaristas em um eleitorado que, apesar da fragmentação, ainda busca uma liderança forte.



