Os pré-candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG), tomaram uma importante decisão ao anunciar, na reta final das convenções partidárias que terminam nesta quarta-feira (5), os vice-presidentes de suas chapas. Os escolhidos foram os parlamentares nordestinos Alfredo Gaspar, do PL-AL, e Eduardo Girão, do Novo-CE. Essa escolha é uma estratégia para aumentar a presença da direita no Nordeste, região historicamente dominada por Lula (PT).
O cientista político Cláudio André de Souza, da Unilab-Bahia, analisa que a escolha de figuras ligadas ao Nordeste é um movimento para conquistar a confiança do eleitorado da região e reforçar a representação política da direita. O foco, segundo ele, será o combate à criminalidade, tema crucial nas campanhas que buscam desafiar a liderança de Lula, especialmente em uma área que apresenta altos índices de violência.
Alfredo Gaspar, eleito deputado federal e ex-promotor de Justiça, é conhecido por sua atuação no combate ao crime organizado. Ele já ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública de Alagoas, ressaltando seu compromisso com a segurança pública, um dos pilares da sua candidatura ao lado de Flávio. “A segurança é o grande tema agregado às campanhas, refletindo uma necessidade premente na região”, afirma Souza.
A presença de Eduardo Girão na composição é também relevante. O senador cearense, que foi eleito em 2018 com 1,3 milhão de votos e é conhecido por seu ativismo contra o crime, aceitou o convite para ser vice na chapa de Zema. Em suas declarações, Girão enfatizou a gravidade da situação no Ceará e como deseja abordar essa problemática a nível nacional, fortalecendo o enfoque sobre a segurança pública.
Segundo Girão, o estado enfrenta uma “tragédia” provocada pelo avanço do crime organizado, e ele argumenta que esse problema deve ser discutido em termos mais amplos, já que estados como a Bahia também enfrentam questões similares. Ele se posiciona favoravelmente a um governo que defenda os valores familiares e a liberdade, criticando aumentos de impostos que impactam o trabalhador.
Com essas escolhas, Flávio e Zema enfrentam a realidade de não contar com o apoio formal de partidos de centro-direita que optaram pela neutralidade nas eleições. Na terça-feira (4), o Novo oficializou a pré-candidatura de Girão a vice-presidente, enquanto a escolha de Gaspar por Flávio surpreendeu muitos, que aguardavam uma mulher para a posição ou um nome diferente, como o senador Rogério Marinho.
Essas decisões evidenciam a importância do Nordeste nas disputas eleitorais e buscam estabelecer um diálogo com um eleitorado que, segundo pesquisas, ainda favorece Lula na região. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada recentemente, apontou que Lula tem 59% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio aparece com 20%. Essa disparidade reforça o desafio que Flávio e Zema terão pela frente nas eleições que se aproximam.
O cenário político se desenha cada vez mais desafiador para a direita, que busca consolidar sua presença e fortalecer suas propostas junto ao eleitorado nordestino. As chapas formadas podem ser vistas como uma tentativa de dar voz às demandas locais, mas ainda há muitas incertezas sobre a resposta do eleitor nas urnas em outubro.



