BELO HORIZONTE (MG) — O senador Flávio Bolsonaro (PL) cumpriu agenda na capital mineira nesta segunda-feira (1º) e, durante uma passagem pelo Mercado Central, classificou como “perseguição” e “pescaria probatória” a operação policial que atingiu a ONG da produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pré-candidato à Presidência da República afirmou que o contrato investigado é “antigo” e não tem relação com a produção cinematográfica, mas não descartou a necessidade de esclarecimentos sobre o caso.

Visita ao Mercado Central e defesa de aliados

Acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do deputado estadual Bruno Engler (PL) e do empresário Flávio Roscoe, recém-filiado ao partido e cotado ao governo do estado, Flávio percorreu o tradicional ponto turístico de Belo Horizonte. No local, comeu pão de queijo, tomou café e cumprimentou apoiadores, que entoavam gritos de incentivo à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, além de manifestações a favor de Jair Bolsonaro e contra o presidente Lula (PT). A movimentação ocorre em meio a um período de desgaste público gerado pela revelação de conversas com o banqueiro Vorcaro, dono do Banco Master.

Questionado sobre a operação da Polícia Civil paulista contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), Flávio foi incisivo: “São duas coisas distintas. O que eu estou sabendo, que foi o que a Prefeitura de São Paulo anunciou, é que é um contrato antigo de uma prestação de serviço de internet. Não tem absolutamente nada a ver com o filme”. A ação investiga suspeitas de fraude em um contrato de wi-fi avaliado em R$ 108 milhões por ano com a gestão municipal. A ONG pertence a Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo longa-metragem.

‘Cortina de fumaça’ e críticas aos Correios

Em um evento sobre agronegócio realizado na mesma noite, Flávio voltou a abordar o tema e afirmou que o filme foi financiado com capital privado, sem uso de dinheiro público. Para ele, a operação representa uma tentativa de desviar a atenção de problemas reais, como o prejuízo de R$ 3,1 bilhões registrado pelos Correios no primeiro trimestre de 2026. “Há uma tentativa de criar uma cortina de fumaça para voltar a esse assunto quando, na verdade, o filme triste que a gente está vendo hoje é uma notícia dos Correios, mais de R$ 3 bilhões de endividamento”, declarou, acrescentando que não pediu recursos a ninguém para a produção.

O senador também participou como painelista do evento, onde debateu propostas para redução das taxas de juros e fomento ao agronegócio. Os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também estiveram presentes. A agenda na capital mineira reforça a estratégia de Flávio de ampliar a visibilidade no estado, que é um dos principais colégios eleitorais do país, enquanto lida com o desgaste provocado pelas mensagens divulgadas em que cobrava financiamento de Vorcaro para o filme e pela visita ao banqueiro quando este usava tornozeleira eletrônica. Flávio nega irregularidades na relação com o executivo.