No último sábado, dia 8, Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, anunciou que pretende indicar mulheres para o Supremo Tribunal Federal (STF) se eleito, durante o evento intitulado Café Entre Elas, realizado em Itapetininga, São Paulo. Essa proposta surge em um momento em que o STF conta com apenas uma mulher em suas fileiras, a ministra Cármen Lúcia. Flávio afirmou: “O próximo presidente indica quatro ministros do STF e vou colocar lá homens e mulheres que respeitam a Constituição”.
O presidenciável não apenas prometeu a inclusão feminina, mas também endureceu suas críticas aos ministros do STF. Ele acusou alguns integrantes da Corte de promover perseguição e de atuarem de maneira política, afirmando que “quem descumprir a lei vai pagar por isso”. Contudo, não especificou quais ministros teriam cometido ilegalidades ou como sua eventual administração lidaria com tais situações.
A escolha de Flávio por um discurso que visa conquistar o eleitorado feminino é notável, especialmente considerando que sua campanha tem registrado desempenho abaixo do esperado entre as mulheres. A estratégia inclui ainda a participação de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, em eventos eleitorais, após algumas tensões familiares públicas. Flávio, que chegou a considerar uma mulher para a vice-presidência, acabou optando por Alfredo Gaspar.
Durante o evento, a deputada Simone Marquetto organizou a pauta, que também abrangeu outras questões que vão além da representação feminina. Flávio Bolsonaro fez menções à faca que seu pai, Jair Bolsonaro, sofreu em 2018, relacionando o incidente à esquerda política. Ele alertou que, se o Partido dos Trabalhadores (PT) ganhar mais um mandato, o Brasil poderia se tornar uma “Venezuela ou uma Grécia”.
O candidato à presidência reforçou sua posição favorável ao armamento da população e criticou o governo de Lula, alegando uma conexão subliminar com forças malignas, ao afirmar que a administração atual “parece que faz pacto com demônio”. Neste discurso direcionado, ele ainda prometeu uma oração durante uma possível cerimônia de posse, com a intenção de “expulsar esses demônios daquela praça dos Três Poderes”.
As afirmações sobre o STF refletem um clima tenso entre a candidatura de Flávio e a Corte. Recentemente, Alexandre de Moraes negou o pedido do candidato e seus irmãos para visitar Jair Bolsonaro, o que Flávio lamentou publicamente. Isso ressalta o afastamento crescente entre ele e o Judiciário durante sua campanha.
O evento também destacou um apelo à base conservadora e religiosa, com Flávio tentando firmar sua presença em um nicho que busca mais representação feminina no cenário político. Essa tentativa de aproximação com as eleitoras reflete uma necessidade crítica para sua candidatura, destacando a importância desse segmento no atual cenário eleitoral brasileiro.
A promessa de maior inclusão feminina nas esferas de poder, especialmente no STF, poderá ser um ponto crucial para Flávio Bolsonaro nas próximas eleições. O descontentamento com a atual composição da Corte e a preferência por figuras que se alinhem mais com os valores conservadores podem ajudar a moldar o futuro desse candidato no pleito de 2024.





