A definição de Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente marcou o início de uma nova fase na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A coordenação da campanha agora se concentra na estratégia eleitoral, organização da agenda de viagens e definição do papel de Gaspar na disputa.
Até então, Flávio enfrentou uma série de desafios na pré-campanha, incluindo tentativas frustradas de formar coligações com partidos do Centrão para aumentar o tempo de propaganda eleitoral. O senador buscou apoio de Republicanos, Podemos e da federação União Progressista, mas as negociações não avançaram conforme o planejado.
O contexto da pré-campanha também foi marcado por questões internas, como a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a relação conturbada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Diante desses obstáculos, aliados de Flávio reafirmam a necessidade de deixar o “passado para trás” e colocar a campanha nas ruas.
Com a aproximação do período eleitoral, a equipe de Flávio acredita que, mesmo com um cenário desafiador, conseguirá aumentar sua visibilidade e as intenções de voto, impulsionado pela cobertura midiática e pela exposição em veículos abertos.
Num movimento estratégico, a escolha de Gaspar é vista como uma forma de reforçar a proposta da segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha. Gaspar, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, traz uma experiência valiosa em sua área, o que deve agregar credibilidade ao discurso de Flávio.
A escolha também abre espaço para discutir o combate à corrupção, especialmente após Gaspar ter atuado na CPMI do INSS. Flávio pretende utilizar essa experiência para acentuar sua oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando reativar o sentimento antipetista entre os eleitores.
A escolha de Alfredo Gaspar surpreendeu muitos aliados que esperavam um nome feminino para a vice, visto que essa estratégia seria crucial para atrair o eleitorado feminino. O senador havia sondado nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Michelle Bolsonaro, mas acabou por escolher Gaspar, o que gerou descontentamento em alguns setores do PL.
Com a chapa formada apenas por filiados do PL, Flávio se isola politicamente, o que resulta em menos tempo de propaganda eleitoral. Segundo projeções do TSE, a diferença é significativa, com Lula tendo mais de cinco minutos de espaço, enquanto Flávio ficará com menos de cinco minutos. Isso poderá impactar as chances de crescimento do senador durante a campanha.



