Florianópolis (SC) — Você já parou para pensar como a Ponte Hercílio Luz, um dos principais símbolos de Florianópolis, fica de pé? Esta obra, que completa 100 anos de inauguração nesta quarta-feira (13), é um verdadeiro cartão-postal da capital catarinense e, além de sua beleza cênica, esconde um intrincado sistema de engenharia que garante sua sustentação.
Para entender melhor como cada parte se encaixa, conversamos com o professor de engenharia mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Edison da Rosa. Ele explicou que a Ponte Hercílio Luz é uma ponte pênsil, ou seja, o trecho principal de travessia é suportado por cabos de sustentação que vão dos blocos de ancoragem em ambas as margens até as torres que sustentam o vão.
A construção da ponte foi idealizada quando a conexão entre a Ilha de Santa Catarina e o continente ainda era feita apenas por barcos e barcaças. Isso tornava a travessia vulnerável a condições climáticas adversas que isolavam os moradores, necessitando de uma solução mais eficaz. Escolher o canal do Estreito para a instalação da ponte foi estratégico, pois é a menor distância entre a ilha e o continente, o que proporcionou mais comodidade a uma população que, em 1920, contava com cerca de 40 mil habitantes.
Quais elementos sustentam a Ponte Hercílio Luz?
Uma das características marcantes da ponte são os blocos de ancoragem, que são duas maciças estruturas de concreto de 6 a 8 mil toneladas cada, localizadas em terra, uma em cada extremidade da ponte. “Esses blocos precisam ser pesados o suficiente para suportar todo o peso da estrutura”, comentou o professor Edison da Rosa.
As famosas barras de olhal desempenham um papel crucial na sustentação da ponte. Ao contrário das pontes pênseis tradicionais que utilizam cabos de aço, como as renomadas Golden Gate e Ponte do Brooklyn, a Hercílio Luz utiliza barras de olhal, que são dispostas de maneira específica para reforçar a estrutura. Assim, cada corrente de sustentação é formada por quatro barras unidas por um pino, unindo-se às correntes que vão das torres até os blocos de ancoragem.
Além disso, os pendurais, que são estruturas perpendiculares às correntes, são significativos para a distribuição do peso do vão central e sustentam as cargas, assegurando que o equilíbrio da ponte seja mantido. “Esses elementos trabalham juntos para garantir que a estrutura permaneça firme e segura”, enfatizou o especialista.
Por que a interdição da ponte deixou Florianópolis em choque?
Em 1982, a ponte sofreu um grande revés que resultou em sua interdição. Funcionários relataram um estouro que fez a estrutura balançar, gerando preocupação. Após inspeções, foi identificado que uma parte de uma barra de olhal havia quebrado. A interdição foi total, e a ponte ficou fechada por mais de 28 anos, sofrendo ainda uma reabertura parcial em 1988 que foi rapidamente revertida devido a problemas estruturais.
A interdição causou um impacto significativo no trânsito de Florianópolis. Antes de ser fechada, a ponte tinha um tráfego de aproximadamente 27.345 veículos por dia, representando cerca de 43,8% do total de tráfego na cidade. Nos horários de pico, o número chegava a 2.250 veículos por hora, o que intensificou a necessidade de solução alternativa para a mobilidade.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas a importância histórica da ponte, mas também os desafios que estruturas antigas enfrentam na modernidade. A reabertura em 30 de dezembro de 2019 foi celebrada como um marco, levando moradores e turistas a reviverem o acesso à icônica ponte.
Como a ponte se tornou um patrimônio cultural em Santa Catarina?
A Ponte Hercílio Luz não é apenas uma construção, mas um símbolo que representa a história e a cultura de Florianópolis. Seu design, assinado pelo engenheiro americano David Barnard Steinman, é admirado pela sua arquitetura única e pela audácia de sua construção em uma época em que a engenharia civil ainda estava se desenvolvendo. Trata-se da maior ponte pênsil com sistemas de barras de olhal no mundo, um feito que ressoa como orgulho para os catarinenses.
Com a ponte finalmente reaberta, foi anunciada uma programação festiva para celebrar seu centenário, que contará com artistas renomados, como Joss Stone e Padre Fábio de Melo. Esses eventos têm como objetivo atrair turistas e promover a cultura da música e das artes em Santa Catarina, reafirmando a Ponte Hercílio Luz como um ícone de resistência e história.
O que mais podemos esperar da Ponte Hercílio Luz?
Conforme o governo estadual planeja investimentos para a manutenção e preservação da ponte, existe uma expectativa crescente sobre como esta estrutura pode ser utilizada ainda mais como um espaço de convivência e turismo. Não apenas como um ponto de passagem, mas como um espaço que une a comunidade e celebra a arte e a cultura local.
Nosso repórter esteve pessoalmente no local para trazer relatos de moradores que se sentem orgulhosos por ter a ponte de volta em funcionamento. A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o desenrolar das comemorações e novas informações que possam surgir em relação à infraestrutura e expansão do uso da ponte.



