Florianópolis (SC) — Uma rã gigante que imita o som de um boi voltou a ser avistada em Florianópolis, mobilizando esforços das autoridades e da população para controlar a situação. Nesta segunda-feira (13), a Prefeitura de Florianópolis confirmou novos avistamentos da rã-touro, uma espécie considerada exótica e invasora, que vem ameaçando a biodiversidade local.
A confirmação dos avistamentos ocorreu no bairro Ratones, no Norte da capital, onde a rã-touro (Rana catesbeiana) já havia aparecido anteriormente. A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) está monitorando a situação e recomenda cautela, visto que a espécie é classificada como Categoria 1 na lista de espécies invasoras em Santa Catarina, o que indica a necessidade de ações imediatas para seu manejo e controle.
O barulho característico produzido pela rã-touro, semelhante ao mugido de um boi, tem chamado a atenção dos habitantes da região. Esse som é emitido pelos machos durante o período de reprodução e pode ajudar pesquisadores a localizar novos indivíduos da espécie. A equipe da Floram está empenhada em investigar os relatos recebidos e pede para que a população colabore enviando informações sobre novas aparições ou sobre onde o famoso som foi ouvido.
Quais os riscos que a rã-touro traz para Florianópolis?
Embora a rã-touro não represente perigo direto para os humanos, seu impacto sobre a fauna nativa é preocupante. Com um tamanho que pode chegar a até 1,5 quilo e medir quase 20 centímetros, a rã-touro torna-se uma predadora voraz, competindo com espécies nativas e alimentando-se de pequenos vertebrados, como peixes, répteis e até mesmos pequenos mamíferos. Esse comportamento predatório pode ter consequências sérias para a cadeia alimentar local e afetar a pesca e a aquicultura na região.
Conforme explicou Paulo Cristhiano Anchieta Garcia, chefe do departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a rã-touro foi introduzida no Brasil na década de 1930, com o propósito de criação para carne. No entanto, muitos desses animais conseguiram escapar para a natureza, contribuindo para a sua proliferação descontrolada. Garcia destacou que a resistência da espécie a doenças a torna ainda mais preocupante, com a ocorrência de fungos e vírus que podem afetar anfíbios e peixes, como a quitridiomicose e o ranavírus.
Como a comunidade pode ajudar no monitoramento?
A Floram está promovendo iniciativas de educação ambiental em colaboração com a UFSC, visando envolver a comunidade no mapeamento da rã-touro. O método adotado é o mapeamento participativo, onde as escolas, os moradores e as comunidades são encorajados a reportarem avistamentos da rã ou a ocorrência do som característico. A prefeitura orienta que qualquer primeira observação deve ser comunicada à Floram pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660.
É importante que a população fique atenta e não tente realizar o manejo por conta própria, uma vez que isso pode resultar em prejuízos à fauna nativa e ao ecossistema local.
O que mais se sabe sobre a rã-touro em Florianópolis?
Este não é o primeiro avistamento da rã-touro na cidade. Ela foi identificada pela primeira vez em Florianópolis em outubro de 2025 e já havia um registro oficial em março deste ano. Com os novos avistamentos, o Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) da Floram agora analisa as informações recebidas para determinar a extensão da presença da espécie na área.
A educação ambiental é uma prioridade, pois sensibiliza a população sobre a importância da preservação da biodiversidade local. De acordo com a Floram, a rã-touro não é apenas uma ameaça às espécies nativas, mas também representa riscos para a saúde pública, dada sua capacidade de transmitir doenças a outros anfíbios e a possibilidade de competição pelas mesmas fontes alimentares.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a necessidade de um chamado coletivo para a preservação da biodiversidade em Florianópolis. Numa cidade com riquezas naturais inestimáveis, a ação coordenada entre as autoridades e a população pode ser a chave para mitigar os riscos trazidos por espécies invasoras. A educação ambiental, em parceria com o conhecimento acadêmico, é fundamental para promover uma convivência harmônica com a fauna e a flora locais.
Qual o papel da Floram no combate à invasão?
A Floram tem um papel crucial no monitoramento e na gestão de espécies invasoras em Florianópolis. A fundação implementa medidas de contenção e controle, além de buscar informações e registros da comunidade para realizar um mapeamento adequado. O foco é não apenas na erradicação da espécie, mas também na conscientização da população sobre a importância de preservar as espécies nativas e evitar que novas invasões aconteçam.
Este cenário não é exclusivo de Florianópolis; diversas regiões do Brasil enfrentam problemas semelhantes com espécies invasoras que ameaçam os ecossistemas locais. A criação de leis e políticas públicas voltadas para o combate dessas espécies é fundamental para proteger a biodiversidade do país. Nesse sentido, o estado de Santa Catarina se destaca como um exemplo de ações proativas.
A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que forem confirmadas pela Floram.



