Quem conhecia a história de Iris Rezende de perto não poupou críticas à decisão da filha. O ex-vice-prefeito de Goiânia e amigo pessoal do patriarca do MDB, Agenor Mariano, afirmou que a filiação de Ana Paula Rezende ao PL, anunciada nesta semana, foi um “poderoso piti” e resultado da “síndrome da realeza”.
Em entrevista ao Jornal Opção, Agenor, que tem uma relação de mais de uma década com Iris, a quem acompanhava como secretário e levava a cultos, analisou a movimentação política da herdeira. Para ele, Ana Paula age como se tivesse direitos por herança, sem construir a própria trajetória.
“Ela quer que todos beijem suas mãos. Mas, na política, as coisas não funcionam assim. É preciso construir a própria história”, disparou. Agenor lembrou que Ana Paula era vice-presidente do MDB, mas nunca procurou a direção para apresentar um projeto de disputa eleitoral, ignorando ainda sugestões do governador Ronaldo Caiado para compor a chapa em Goiânia.
O ex-prefeito fez questão de sublinhar o contraste com a postura de Iris. “Iris Rezende era estadista. Pensava na política para o povo. Ana Paula se comporta como anti-estadista, agiu de maneira egoísta, pensando apenas em si.”
A análise mais contundente, porém, foi a ironia histórica apontada por Agenor: ao deixar o MDB para apoiar o senador Wilder Morais (PL) ao governo, Ana Paula se alinha à “extrema direita – a mesma que cassou o mandato de Iris Rezende na década de 1960″. Para ele, a decisão mostra imaturidade e falta de sabedoria emocional, algo que “sobrava em Iris e Maguito Vilela”. “Prenuncia-se um voo de pato”, concluiu.




