Foragido da Justiça há 15 anos por morte de policial em MG é preso em Vitória (ES)

Foragido da Justiça há 15 anos por morte de policial em MG é preso em Vitória (ES)

Um desfecho surpreendente. Em Vitória (ES) — Após 15 anos foragido e procurado em pelo menos três estados brasileiros, um homem apontado como integrante de facções envolvidas em assaltos a bancos e acusado de participação direta na morte de um policial militar durante um ataque do chamado “Novo Cangaço” em Minas Gerais, foi finalmente capturado na capital capixaba. A operação, deflagrada na noite desta terça-feira (14), mobilizou forças de segurança do Espírito Santo em conjunto com agentes do estado de Goiás, surpreendendo o suspeito enquanto visitava a esposa, que reside em Vitória.

De acordo com a Polícia Civil, o preso foi identificado como Nildo Alves Nascimento, nome já há anos presente nos sistemas de alerta das polícias interestaduais. Nildo, cuja ficha criminal é considerada extensa pelas autoridades, possuía mandados de prisão abertos expedidos pelas Justiças de MG, GO e Rondônia, resposta à sua suposta atuação em crimes de elevada periculosidade, principalmente ataques a instituições financeiras e carros-fortes. A prisão foi viabilizada por investigações persistentes e troca de informações entre os órgãos, o que facilitou o rastreamento do foragido até Vitória, onde tentava levar uma vida discreta, afastado das rotas do crime.

Segundo fontes próximas à investigação, Nildo teria sido monitorado durante alguns dias antes da abordagem. Ele não reagiu ao ser surpreendido pelos policiais e, conforme as autoridades, ainda tentava manter segredo sobre seu verdadeiro histórico criminal, especialmente para a esposa, que não foi detida. O caso chamou atenção pela complexidade do trabalho investigativo envolvendo três estados, considerando ainda que o suspeito faz parte de grupos que atuam em delitos com alto grau de organização e violência.

Por que o crime do Novo Cangaço em Minas Gerais chocou Vitória (ES)?

O histórico que envolve a investigação de Nildo Alves Nascimento remonta a 2007, na pequena cidade de São Gotardo, em Minas Gerais. Naquele ano, um grupo formado por ao menos oito assaltantes fortemente armados invadiu e assaltou duas agências bancárias do município. O método era característico do chamado “Novo Cangaço”, marcado pelo sequestro de funcionários e clientes das agências, além da utilização de reféns como escudos humanos para impedir a reação policial.

A atuação da quadrilha foi considerada brutal. Quando os criminosos tentaram fugir, uma equipe da Polícia Militar surpreendeu o bando em meio à fuga, dando início a uma troca intensa de tiros. Durante o confronto, três policiais foram baleados; um deles foi atingido por disparo na cabeça e acabou morrendo antes mesmo de chegar ao hospital. A comoção foi imediata na região e também repercutiu em estados vizinhos, já que o escoamento das quadrilhas do Novo Cangaço era um desafio regional enfrentado por diversos estados do interior brasileiro.

Em Vitória, cidade que tradicionalmente registra índices mais controlados de violência patrimonial se comparada a cidades do interior do Sudeste, a notícia da prisão de um acusado de crime tão emblemático provocou forte reação entre moradores e autoridades locais. “A sensação de insegurança aumenta ao saber que nomes ligados ao Novo Cangaço estavam em nosso convívio”, afirmou um morador do bairro Jardim Camburi à reportagem.

Como foi articulada a operação da polícia em Vitória (ES)?

De acordo com informações detalhadas pela Justiça do Espírito Santo, a prisão de Nildo Alves foi possível graças à formação de uma força-tarefa composta por policiais capixabas em parceria direta com o setor de inteligência da Polícia Civil de Goiás. Dados do Ministério da Justiça apontam que casos interestaduais como este exigem integração em tempo real entre delegacias e o compartilhamento de bases de dados sobre foragidos.

A operação foi planejada para coincidir com a visita que Nildo fazia à esposa, prática comum entre foragidos que tentam manter vínculos familiares enquanto mudam de endereço frequentemente. A movimentação do suspeito foi rastreada a partir do cruzamento de sinais eletrônicos, relatórios de vigilância e denúncias recebidas após o caso ganhar repercussão regional. Ao ser finalmente abordado, Nildo não portava documentos falsos, mas mantinha em seu poder um aparelho celular utilizado apenas para comunicação com familiares próximos.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas a eficiência das forças de segurança estaduais, mas também as lacunas históricas no combate aos crimes interestaduais de alta complexidade. A integração crescente entre estados, acompanhada do fortalecimento das bases de dados e colaboração tecnológica, tem permitido resultados mais rápidos em casos que, até poucos anos atrás, se arrastariam por décadas sem solução definitiva.

Qual a situação dos crimes do tipo Novo Cangaço no Espírito Santo?

No Espírito Santo, ações de assaltos violentos a bancos do tipo Novo Cangaço são menos frequentes que em estados do interior do Sudeste e Nordeste, mas preocupam pela crescente migração de criminosos foragidos para cidades costeiras, como é o caso documentado em Vitória. Segundo levantamento do Diário do Estado, desde 2022 a polícia capixaba monitorou pelo menos outros três casos em que suspeitos de envolvimento em crimes semelhantes foram identificados vivendo no estado, geralmente em bairros de grande movimentação ou com fácil acesso ao litoral.

A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que, apesar disso, o Espírito Santo tem registrado avanços na repressão ao crime organizado. O número de assaltos a bancos caiu 25% ao longo de 2023, segundo estatísticas fornecidas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. Especialistas ouvidos apontam que a presença de foragidos de alta periculosidade, como Nildo, representa um alerta para o reforço das redes de inteligência e para o monitoramento de movimentos migratórios entre estados.

De acordo com o especialista em segurança pública consultado pela nossa redação, a confiança das quadrilhas na impunidade tende a ser abalada quando operações dessa magnitude são amplamente divulgadas. “A cooperação interestadual é o único caminho para sufocar esses grupos, que não reconhecem fronteiras na hora de cometer crimes”, resume o analista.

O que acontece agora com o foragido preso em Vitória?

Com a prisão em flagrante, Nildo Alves Nascimento será encaminhado para uma audiência de custódia, onde poderão ser reiterados os mandados de prisão expedidos em Minas Gerais, Goiás e Rondônia. A tendência, segundo fontes ligadas à Justiça, é que ele responda na capital capixaba enquanto são providenciadas as transferências necessárias para o estado de origem dos crimes mais graves. A Polícia Civil do Espírito Santo informou que dará prioridade aos trâmites judiciais para não comprometer a integridade do processo e garantir que Nildo permaneça detido enquanto responde por homicídio, roubo qualificado e formação de quadrilha.

Ainda não há informações oficiais sobre o envolvimento da esposa de Nildo, residente em Vitória. De acordo com a polícia, não há indícios de que a mulher tenha colaborado conscientemente com a permanência irregular do marido na cidade, motivo pelo qual ela não foi detida ou conduzida até o momento. Relatos colhidos por vizinhos indicam que o casal vivia de forma discreta e que poucas pessoas sabiam da presença do suspeito na casa nos últimos meses.

O caso será acompanhado pela Polícia Civil de Goiás, responsável por parte dos processos criminais em curso, além do contato permanente com as autoridades da Justiça mineira. Detalhes sobre a transferência do preso ainda deverão ser divulgados nos próximos dias, mas a expectativa é que ele seja mantido sob custódia em regime fechado a partir desta semana.

A reportagem do Diário do Estado esteve na região onde ocorreu a prisão, conversou com vizinhos e apurou informações junto à Polícia Civil, que reiterou o compromisso com o combate ao crime interestadual. Novos desdobramentos do caso devem ser acompanhados pela redação, que permanece em contato direto com as autoridades responsáveis para atualizar a população conforme novas informações sejam divulgadas.

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