Franquias no Brasil estão utilizando uma estratégia inovadora para otimizar suas operações financeiras ao redor da centralização de pagamentos e serviços bancários. Em vez de cada franqueado negociar separadamente taxas de cartão e crédito, redes inteiras estão adotando a abordagem das finanças embarcadas (embedded finance), o que transforma custos em ganhos de competitividade. Esse modelo não apenas diminui taxas elevadas, mas também permite uma margem de lucro maior para os negócios, especialmente em um setor que atingiu R$ 301,7 bilhões em faturamento em 2025.
O mercado de franquias vem se expandindo rapidamente, com mais de 202 mil operações e 3.297 redes operando em todo o Brasil. Apesar dessa escala impressionante, muitos franqueados ainda se vêem atrelados a negociações financeiras descentralizadas, o que limita a capacidade de barganha. A cofundadora da Finscale, Letícia Moschioni, menciona que “as redes que compreendem não apenas o faturamento mas também o comportamento financeiro de seus franqueados podem traduzir esse conhecimento em redução de custos e aumento da eficiência”.
A transformação já se reflete na manutenção e arrecadação de royalties, onde sistemas integrados garantem que a parte da franqueadora seja automaticamente subtraída após cada venda, minimizando perdas. Antônio Castilho, CEO da PlugZ, revela que franqueados faturando entre R$ 150 mil e R$ 200 mil mensalmente, quando negociam sozinhos, se equiparam a pequenas empresas, mas ao se unirem em uma plataforma, ganham considerável poder de negociação. O volume financeiro consolidado chega a R$ 617 milhões por mês, permitindo que taxas cobradas nas vendas caiam de 3,8% para aproximadamente 2,4%.
Como a centralização impacta na rentabilidade das franquias?
Com a adoção desse modelo financeiro consolidado, as franquias estão vendo um aumento na margem de lucro individualmente. Em média, um franqueado, que antes lucrou R$ 20 mil, pode elevar esse valor para próximo de R$ 23 mil ao otimizar custos com adquirência, energia e seguros, que agora são negociados de forma coletiva. Esse resultado imediato destaca a importância de integrar as operações financeiras, reforçando a competitividade do franqueador.
Além disso, é vital observar o contexto macroeconômico, onde o setor financeiro tem sido impactado por taxas de juros que tiveram uma alta histórica nos últimos anos, alcançando 13,25% ao ano, influenciando diretamente a capacidade de financiamento e consumo. Em comparação com meses anteriores, essa estratégia vem rendendo frutos, mostrando resiliência em um ambiente econômico desafiador.
Os benefícios não são exclusivos para as franqueadoras; os franqueados estão percebendo melhoras em suas finanças pessoais, o que, por tabela, afeta positivamente o mercado consumidor. O poder de compra se fortalece à medida que as franquias otimizam seus custos, permitindo que novos investimentos e poupança incentivem ainda mais a economia local.
Qual o papel da tecnologia na transformação financeira?
A implementação de sistemas integrados e soluções de finanças embarcadas está revolucionando a forma como as franquias lidam com suas operações financeiras. Diferentes franqueados agora têm acesso a uma estrutura que permite resolver questões práticas, como a inadimplência no pagamento de royalties. Em vez de depender de processos tradicionais, a tecnologia se torna aliada na gestão financeira.
Com a ascensão das fintechs e soluções digitais, as franquias encontram um caminho não apenas para reduzir custos, mas também para expandir seu alcance. Ao abraçar a tecnologia, elas garantem maior eficiência na operação e na construção de uma clientela fiel, pronta para consumir.
Analistas do setor começam a observar um aumento no número de franquias que utilizam essas tecnologias, com resultados positivos visíveis em termos de aceleração de vendas e, consequentemente, de lucros. Os investimentos em tecnologia se tornam não apenas essenciais, mas uma necessidade estratégica para estimular o crescimento sustentável.
Quais são os próximos passos para as franquias?
O próximo passo para as franquias é continuar a inovação em suas operações, focando também na educabilidade financeira de seus franqueados. O fortalecimento das operações financeiras deve ir além da negociação de taxas e explorar novas fontes de receita, como capacitação para empreendedores em gestão financeira. A centralização deve se traduzir em uma cultura de colaboração e eficiência.
Os economistas veem a necessidade de, gradativamente, padronizar essas práticas entre todas as redes para garantir que sejam acessíveis a todos os franqueados. Uma abordagem holística que considera o estado de cada unidade pode significar um avanço significativo para o setor, resultando em um impacto positivo sobre a economia como um todo.
À medida que as franquias adotam essas estratégias, a expectativa é de que novos modelos de negócios surjam, aumentando ainda mais a competitividade e a resiliência do setor. O foco deve ser sempre a otimização, inovação e a adaptação ao ambiente econômico, que tão rapidamente está em transformação.





