Humilde, perseverante e com meio século de dedicação à vida religiosa: quem era freira de 82 anos morta em convento no Paraná
Irmã Nadia Gavanski foi encontrada morta no pátio do convento, com sinais de agressão. Suspeito foi indiciado por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada.
Freira de 82 anos é morta em pátio de convento, em Ivaí
A freira Deonisia Diadio, colega de congregação da freira Nadia Gavanski, descreve a amiga como dedicada, focada na fé e profundamente piedosa. Gavanski, de 82 anos, foi encontrada morta no sábado (21) no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, após a invasão de um homem ao local.
Segundo a polícia, a religiosa flagrou o suspeito durante a invasão e foi atacada.
Deonisia afirma que espera que a morte da colega sirva de alerta para a proteção das mulheres. “Ela não merecia tamanha violência. Contudo, na fé, acreditamos que sua vida se tornou um sinal: uma entrega silenciosa que fala por tantas mulheres que sofrem agressão. Que seu testemunho nos desperte para a defesa da vida, da dignidade e do amor”, disse.
Em entrevista ao Deonisia contou que a irmã Nadia ingressou na congregação em 1971, quando tinha 27 anos. Ela se dedicou à vida religiosa por 55 anos.
“Irmã Nadia entrou para a vida religiosa já com mais idade e, por isso, enfrentava dificuldades para acompanhar e compreender alguns conteúdos da formação. No entanto, sua perseverança comovia profundamente. Com humildade e confiança, dizia com simplicidade: ‘Por favor, mestra, não me mande embora, que eu ainda vou aprender. Nossa Senhora vai me ajudar’. Essa frase revela bem sua alma: humilde, confiante e profundamente mariana”, conta.
Diadio conta que Nadia sofreu um AVC, que afetou a fala, passando, depois disso, a falar pouco e com um tom de voz baixo. No entanto, por meio do olhar e das atitudes, continuava acolhendo as colegas.
“Um coração que não precisava de muitas palavras. Seu jeito sereno tocava quem se aproximava, através de gestos simples e de um sorriso acolhedor. Cuidava com amor das plantinhas, da horta e das pequenas coisas do dia a dia, revelando um coração atento e fiel”, detalha.
A colega descreve ainda que a oração ocupava um espaço central na vida da irmã Nadia, que era, muitas vezes, a primeira a chegar na capela. Além disso, destaca a coerência e disponibilidade da irmã, que era atenta às necessidades da comunidade e estava sempre disposta a ajudar.
Diariamente, após o almoço, irmã Nadia tinha o hábito de ir alimentar as galinhas do convento.
“Sua missão sempre se concretizou no serviço silencioso e humilde: o preparo das refeições, o cuidado com a horta, com as galinhas e com a rotina diária da casa. Tudo era feito com amor e fidelidade, transformando o ordinário em oblação agradável a Deus”, descreve.
A cerimônia de despedida em homenagem à irmã Nadia Gavanski aconteceu no domingo, em Prudentópolis. “Hoje choramos seu silencio, mas cremos que Deus acolhe na eternidade esta religiosa que viveu com bondade e entrega. O céu recebe uma alma que soube amar no silêncio”, conclui a amiga Deonisia Diadio.




