Gabriel Menino se reencontra no Atlético-MG e lembra fase ruim no Palmeiras: “Mulheres, amigos e festas”
Multicampeão no Alviverde, meia destaca momento que perdeu o foco, não ouviu conselhos dos pais e explica como fez para recuperar espaço na equipe
Gabriel Menino relembra fase ruim no Palmeiras: “Mulheres, amigos e festas”
Jovem e recém-promovido ao profissional em um dos maiores clubes do país. Dois títulos da Libertadores, Brasileiro, Paulista, Copa do Brasil, convocação para a seleção brasileira. Gabriel Menino viveu — em um ano e meio de Palmeiras — conquistas que muitos jogadores não alcançam em uma carreira. Aos 21 anos, se deslumbrou, viu o extracampo impactar no seu dia a dia e perdeu o foco no futebol.
Hoje, Menino está no DE. Conquistou o Mineiro, foi titular em todos os jogos da equipe e é um dos pilares do time para o ano. É uma das armas do clube para brigar pelo título do Brasileiro — que seria o terceiro da carreira.
Em entrevista exclusiva ao ge, Gabriel Menino relatou detalhes do que passou no Palmeiras.
— Eu com 20, 21 anos, já tinha conquistado duas Libertadores, uma Copa do Brasil, um Paulista, fui para a seleção brasileira principal. Tudo isso em um ano. O que sonhei para a vida toda aconteceu em um ano. Absorver isso de uma vez só foi muito difícil para mim.
— As coisas extras, fora de campo, vieram fáceis. Eu, como qualquer ser humano, errei de dar essa liberdade. Mulheres, amigos, festas… Não me cuidei como faço hoje.
Na época, o meia perdeu espaço no Palmeiras. Foi para o banco de reservas e virou opção para os jogos. Ficou fora na lista do Mundial, levou bronca de Abel Ferreira e reconheceu que não estava focado.
Nem mesmo os puxões de orelhas dos pais foram suficientes. A mudança veio quando viu garotos, da mesma geração dele, serem vendidos, como Patrick de Paula e Wesley, no início de 2022. Isso ligou o alerta.
— Meus pais me mostravam o caminho, puxavam minha orelha, e eu não quis seguir. Decisão minha. Quando vem muita coisa fácil… acabei me perdendo um pouco. Mas quando vi o Patrick saindo, o Wesley… Eu pensei: “Opa, está na hora de me concentrar, focar”. Ali caiu minha ficha.
Menino reconquistou o espaço no próprio Palmeiras. De lateral a ponta, ajudou o clube nos títulos do Brasileiro (2023), Supercopa do Brasil (2023) e de dois Paulistas (2023 e 2024).
No fim do ano passado, entendeu que era a hora de viver novos desafios. Parar de ser visto como um jogador da base do Palmeiras e buscar um novo clube.
— Quando você conquista muita coisa em um clube, está lá desde 2017, com o mesmo elenco, você fica confortável. Isso incomoda. Eu não ia treinar mais feliz, jogar… Tinha algo me incomodando.
— Já tinha falado no final do ano que queria sair. Queria me formar um jogador. Lá me olhavam muito como jogador da base. E eu não sou mais base, estou no quinto ano como profissional. Queria viver novos ares. Voltei a ser feliz aqui.
As experiências vividas no passado serviram de aprendizado para o meia. No DE, Menino foi titular em todos os jogos do clube no ano e tem papel importante no meio-campo.
Mais maduro e perto de ser pai, o meia tem bem definido o que espera dos próximos passos da carreira.
— Se eu tivesse a cabeça de hoje, seria melhor para mim. Hoje, eu sei o que quero, sei lidar com as coisas dentro e fora de campo. É experiência que passamos na vida.
— Quero continuar fazendo história no Galo, voltar para a Seleção, é meu sonho. E ir para a Europa. Chegar lá na hora certa — resumiu Menino.