Gaza acusa Netanyahu de violar cessar-fogo e prolongar crise: Rafah como instrumento político. População sofrendo.

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O governo de Gaza acusou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de violar os termos do cessar-fogo em vigor e de utilizar a passagem fronteiriça de Rafah como instrumento de pressão política contra os palestinos. Segundo autoridades do território palestino, a estratégia israelense busca prolongar a crise humanitária e aprofundar o sofrimento da população civil na Faixa de Gaza.

As denúncias foram divulgadas nesta quarta-feira (15) em Ramallah. A agência Prensa Latina informa que Ismail Al-Thawabta, diretor-geral do Gabinete de Imprensa do Governo em Gaza, criticou Israel por não concretizar a reabertura de Rafah. “Israel anuncia na mídia seus preparativos ou intenções de reabrir a passagem de Rafah, mas na prática não há nenhum compromisso real ou cronograma claro”, afirmou.

Al-Thawabta classificou a postura israelense como uma estratégia calculada para reduzir a pressão internacional sem alterar a realidade no território palestino. “Tal conduta reflete uma política deliberada de engano, destinada a minimizar a pressão internacional sem produzir qualquer mudança real”, enfatizou.

Segundo ele, a manutenção do fechamento da passagem integra uma política mais ampla de cerco à Faixa de Gaza. A medida tem impactos diretos sobre a população, especialmente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade. Al-Thawabta alertou que mais de 22 mil doentes e feridos aguardam autorização para sair do território e receber tratamento médico no exterior.

O bloqueio também atinge estudantes impedidos de continuar seus estudos fora do país e compromete a circulação de cidadãos em situações humanitárias e de emergência. “Além disso, agrava a crise de saúde, aumenta as taxas de mortalidade entre os pacientes e o fardo psicológico, social e econômico sobre a sociedade palestina no território”, observou o dirigente.

Recentemente, Israel anunciou que permitiria a reabertura da passagem de Rafah apenas para o tráfego de saída, mantendo a proibição de entrada a partir do Egito. A decisão gerou uma onda de condenações internacionais, especialmente de países árabes, que veem a medida como mais um fator de aprofundamento da crise humanitária em Gaza.

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