Jornal Diário do Estado

Goiânia e Aparecida de Goiânia têm aumento inesperado nos preço dos combustíveis

Reajuste seria uma compensação na margem de lucro dos postos pressionada após sucessivas reduções da Petrobras

Os motoristas notaram aumentos nos preços dos combustíveis nos postos de Goiânia nesta terça-feira, 13. O reajuste para cima surpreende após sucessivas quedas do litro nas bombas. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado (Sindiposto) de Goiás, Márcio Andrade, a alteração não está relacionada à greve dos frentistas iniciada nesta segunda-feira, 12.

“Alguns postos realmente aumentaram os preços dos combustíveis. Aqueles que baixaram muito os preços, inclusive reduzindo sua margem de lucro, estão tentando recompor a margem, encerrando promoções”, explica.

A safra da cana-de açúcar representa mais oferta da matéria-prima e, teoricamente, não deveria interferir muito ou quase nada no preço cobrado ao consumidor. No entanto, Márcio pontua que o fato de Goiás estar nesse período ajudou a manter o etanol competitivo quando comparado a gasolina, ficando entre os mais baratos do País. A avaliação dele é que, considerando a cotação do dólar hoje, não deve haver nova queda da gasolina nesta semana.

No aplicativo Economia Online, o EON, da Secretaria Estadual de Economia, a gasolina mais barata foi encontrada por R$ 4,44 em Aparecida de Goiânia (há uma semana era R$3,99) e por R$ 4,39 em Goiânia no início da tarde desta terça-feira, 13. O menor preço do etanol em Goiânia é R$2,83 e na vizinha Aparecida R$ 2,89, valores acima do comercializado na semana passada – custava R$  2,79 em ambos os municípios.

Uma pesquisa divulgada na semana passada mostrou que o estado registrou a menor média de preço de gasolina no Brasil e a região Centro-Oeste teve o litro de etanol vendido mais barato do País em agosto, segundo levantamento com o  Índice de Preços Ticket Log (IPTL). Na semana passada, a Petrobras anunciou a quarta redução seguida do preço do litro vendido para as distribuidoras.

Braços Cruzados

A paralisação dos frentistas por acréscimo de quase 22% nos salários não interferiu nas bombas, pelo menos por enquanto. O representante do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços e Derivados de Petróleo em Goiás (Sinpospetro-GO), Carlos Pereira, afirmou ao Diário do Estado que ainda não houve tratativas ou proposta por parte do sindicato patronal, o Sindiposto.

Ele destaca que ainda desta semana será pedido o dissídio trabalhista ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O recurso é utilizado para solucionar conflitos entre as partes coletivas trabalhistas porque o juiz fixa uma porcentagem de reajuste. “Aí depende da resposta do tribunal. Acreditamos que com este movimento e demonstrando a dificuldade que os frentistas estão enfrentando, seremos reconhecidos e o dissídio será autorizado pelo TRT”, destaca.