Goiânia (GO) — Uma forte e rápida chuva, acompanhada de rajadas de vento, causou uma sequência de estragos e deixou quatro adolescentes ilhados em uma área de mata na tarde desta terça-feira (21). O caso mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, que precisaram utilizar técnicas de salvamento aquático para resgatar os jovens, que têm entre 11 e 14 anos, após o transbordamento repentino do Córrego Macambira, localizado no Bairro Goiá, região noroeste da capital.
Segundo informações da corporação, os adolescentes haviam saído para fazer uma trilha na área verde quando foram surpreendidos por uma enxurrada – conhecida como “cabeça d’água” –, fenômeno comum em Goiânia durante pancadas intensas de chuva. O grupo era composto por duas meninas e dois meninos que conseguiram acionar os bombeiros por telefone celular, porém, a falta de internet e a dificuldade de localização na mata aumentaram a tensão. Eles foram resgatados após mais de uma hora de buscas, momento em que o nível da água já havia baixado, possibilitando a travessia com apoio de coletes e uma corrente humana feita pelos militares.
Ao todo, sete militares participaram da operação, que contou ainda com o apoio da comunidade, pois a equipe precisou ser guiada pelos gritos de socorro dos adolescentes. Apesar do susto, todos foram avaliados no local e ninguém apresentou ferimentos, recusando encaminhamento ao hospital. A ocorrência ganha destaque por levantar discussões sobre segurança de trilhas urbanas e o monitoramento preventivo em áreas próximas a córregos em Goiânia.
Como o resgate dos adolescentes mobilizou equipes em Goiânia?
Conforme detalhou o aspirante Alex Parreira Silva, do Corpo de Bombeiros, a localização exata do grupo foi um dos principais desafios enfrentados pelas equipes, especialmente devido à insuficiência de sinal de internet na mata do Bairro Goiá, uma região de chácaras e áreas de preservação ambiental. Para superar a dificuldade, os militares dividiram-se em frentes de busca cruzando margens do Córrego Macambira e ouvindo atentamente sons vindos do interior da vegetação, até identificarem gritos de pedido de socorro dos adolescentes.
A estratégia adotada para o resgate foi a de salvamento aquático, considerando o histórico do local, onde outras ocorrências semelhantes já preocuparam autoridades de Goiânia. Segundo as equipes, a travessia precisou ser feita um a um, com cada adolescente sendo equipado com coletes salva-vidas entregues pelos próprios bombeiros. Em um momento de solidariedade, um dos militares chegou a tirar a própria blusa da farda para aquecer uma das meninas, que apresentava sinais de frio devido ao contato prolongado com a água gelada.
O transbordamento do Córrego Macambira é frequente em Goiânia?
O Córrego Macambira tem histórico de transbordamentos repentinos e enchentes localizadas, especialmente durante o período chuvoso de Goiânia – entre outubro e abril. De acordo com dados da Justiça ambiental do município, a região onde os adolescentes ficaram ilhados fica numa espécie de “concha” hidráulica, que acumula volumes expressivos de água das chuvas, potencializando o risco de “cabeças d’água”. Em anos anteriores, outros registros de pessoas ilhadas ou até veículos arrastados pelo córrego foram contabilizados.
Além do grande volume de água em curto espaço de tempo, a ocupação irregular das margens e o despejo de lixo doméstico são fatores que agravam as ocorrências, comprometendo a vazão normal do córrego. A Prefeitura e a Defesa Civil de Goiânia têm alertado para que trilheiros e praticantes de esportes ao ar livre consultem o tempo e evitem áreas de risco em dias com previsão de chuva, principalmente em bairros como Goiá, Jardim América e Parque Macambira-Anicuns.
Moradores próximos afirmam que as enchentes intensificam-se ano após ano. Em 2023, o Córrego Macambira transbordou em pelo menos quatro ocasiões, fechando ruas e deixando bairros ilhados por algumas horas. Segundo levantamento do setor de segurança pública de Goiás, o socorro rápido do Corpo de Bombeiros foi fundamental para evitar tragédias maiores no episódio desta terça-feira.
Quais estragos a chuva provocou nos bairros de Goiânia?
Os efeitos da tempestade não se limitaram ao transbordamento no Bairro Goiá. Em um período inferior a 60 minutos, segundo balanço divulgado pela Companhia de Urbanização do Município de Goiânia (Comurg), foram registradas pelo menos 14 quedas de árvores de grande porte. Ruas importantes foram bloqueadas, veículos tiveram a passagem impossibilitada, e houve registros de quedas de fiação elétrica, agravando ainda mais o caos em setores como Jardim Diamantina, Gentil Meirelles, Avenida Leste-Oeste e Avenida Castelo Branco.
Na Avenida Leste-Oeste, uma palmeira de aproximadamente 10 metros tombou após ser atingida pelo vento e fechou completamente uma das principais pistas de ligação entre regiões da cidade. Equipes da Comurg precisaram atuar de imediato para fazer a remoção e liberar o trânsito. Outro incidente, na divisa entre Jardim Diamantina e Gentil Meirelles, envolveu a queda de uma árvore sobre carros estacionados, sem registro de vítimas, mas com prejuízos materiais e interrupção do fornecimento elétrico, afetando centenas de moradores segundo dados da Equatorial Goiás, responsável pela gestão de energia na capital.
Ao todo, mais de 24 chamados de emergência foram atendidos apenas nas primeiras horas da noite, grande parte relacionada à chuva rápida e intensa. Muitos dos atendimentos envolveram galhos de grandes dimensões interrompendo vias e até atingindo cabos de alta tensão, o que exige o acompanhamento conjunto dos setores de Defesa Civil, Comurg e técnicos das empresas de energia.
Por que o episódio alertou moradores e autoridades de Goiânia?
O episódio envolvendo o resgate dos adolescentes e os impactos da chuva reforçou, entre os moradores de Goiânia, preocupações antigas sobre a segurança de áreas de lazer em épocas de chuva. O município tem histórico de ocorrências desse tipo, especialmente em canais urbanos e trilhas. A recorrência desses casos tem motivado órgãos como o Ministério Público, Justiça ambiental e associações de moradores a pressionarem por melhorias na infraestrutura de drenagem e maior sinalização de áreas de risco.
Nos grupos de redes sociais, moradores do Bairro Goiá e vizinhanças compartilharam vídeos e registros fotográficos, mostrando como vias ficaram alagadas em questão de minutos, e destacando a agilidade das equipes do Corpo de Bombeiros. A imprensa local lembrou que tragédias relacionadas a enchentes já aconteceram anteriormente, inclusive deixando vítimas fatais em outros pontos da cidade. Esses registros ampliam o debate sobre a necessidade de campanhas de conscientização e fiscalização rigorosa às margens dos principais córregos urbanos.
De acordo com levantamento da própria DE Goiânia, eventos como o desta terça-feira tendem a aumentar durante o verão, com tendência de temporais em séries. A prefeitura declarou que mantém equipes de plantão para pronta-resposta, mas reconhece que o volume crescente de ocupações irregulares e lixo displicente compromete a eficácia dos sistemas de drenagem.
Como as autoridades de Goiás avaliam a resposta emergencial?
Representantes da Polícia, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros avaliaram positivamente a atuação coordenada na operação desta terça-feira. Os chamados de emergência chegaram quase simultaneamente, exigindo respostas ágeis e inteligentes para evitar agravamento da situação dos adolescentes ilhados. Segundo balanço divulgado à imprensa, nenhuma das ocorrências relacionadas à chuva rápida resultou em mortes ou pessoas hospitalizadas, fruto tanto da experiência dos militares quanto de investimentos na qualificação das equipes de salvamento.
As autoridades informaram, ainda, que os adolescentes receberam atenção psicológica e orientação preventiva após o resgate, medida padrão em situações de risco para menores de idade. Em nota, o comando do Corpo de Bombeiros reiterou o alerta para que trilhas em áreas de mata próximas a cursos d’água sejam evitadas em dias de tempo instável ou previsão de temporais.
Também foi ressaltada a importância dos canais de denúncia e emergência, cujos números (193 para Bombeiros e 199 para Defesa Civil) devem ser de conhecimento de toda a população, especialmente nas regiões periféricas e de maior vulnerabilidade em Goiânia.
Quais as recomendações para evitar tragédias semelhantes em Goiânia?
Especialistas e autoridades de Goiás reforçam que cuidados simples podem evitar situações como a vivida pelos adolescentes do Bairro Goiá. Entre as principais orientações está o planejamento prévio de trilhas, com consulta a aplicativos de previsão de chuva e comunicação prévia aos familiares. Além disso, recomenda-se evitar regiões de mata e margens de córregos durante a estação chuvosa, buscando sempre caminhos sinalizados ou trilhas autorizadas pelo poder público.
A Prefeitura de Goiânia informou que intensificará as rondas nas áreas próximas ao Córrego Macambira e no entorno do Parque Macambira-Anicuns, locais populares para prática de trilhas. Sinalizações de alerta deverão ser reforçadas, assim como campanhas educativas em escolas da rede municipal, visando alertar crianças e adolescentes sobre os riscos naturais presentes nos períodos de chuva intensa.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Goiânia registra, em média, 35 chamados de resgate/aquático entre outubro e março. O número aumentou 12% em relação a 2022, reflexo do aquecimento global e agravamento dos eventos climáticos extremos. O caso dos quatro adolescentes resgatados nesta terça-feira evidencia a relevância da preparação contínua dos órgãos de resgate e da participação ativa da sociedade civil.
Para acompanhar outras informações atualizadas de resgates, chuvas intensas e ações de prevenção, o leitor pode acessar a seção exclusiva sobre emergências em Goiânia no portal DE Goiânia.



